Inverno em San Martin de los Andes: uma cabana, um lago e uma montanha de neve

Inverno em San Martin de los Andes:  uma cabana, um lago e uma montanha  de neve

Imagine uma cidadezinha com casas de madeira e pedra escondidas entre um lago de águas azuis e montanhas cobertas de neve. Pois San Martin de Los Andes, na Patagônia argentina, é bem isso. Quase uma versão austral de uma vila de conto de fadas.

Se não bastassem a beleza e o charme, a cidade ainda consegue unir outras coisas que parecem inconciliáveis no inverno: um centro de esqui famoso, tranquilidade e um ar de vida real entre o vai-e-vem de turistas.

Rua do centro de San Martin.

Rua do centro de San Martin.

Era bem isso o que eu procurava quando embarquei com a família para o sul da Argentina no inverno de 2012.

A escolha mais óbvia seria Bariloche, a capital do turismo de neve na Argentina, também na província de Neuquén. A cidade tem o maior centro de esqui da América do Sul e recebe um número de voos muito maior que o aeroporto de San Martin de los Andes.

Mas esquiar era só parte do nosso plano. Gente, eu estava pisando na Patagônia pela primeira vez, a viagem não é barata e minha curiosidade pedia neve, mas não cabia num centro de esqui.

A caminho pela Rota dos 7 lagos.

A caminho pela Rota dos 7 lagos.

Reservamos um dia para conhecer Bariloche e, na manhã seguinte, seguimos de carro para San Martin pela Rota dos 7 lagos. Conto sobre o caminho, entre os picos da Cordilheira dos Andes, neste post:

De Bariloche a San Martin de los Andes: O inverno na Rota dos 7 lagos

O que fazer em San Martin de los Andes

A CIDADE

Chegando em San Martin de los Andes.

Chegando em San Martin de los Andes.

Quando vi San Martin pela primeira vez, de um mirante da estrada, parecia que estava chegando num lugar perdido no mundo. A cidade de 20 mil habitantes se mistura com o cenário, com montanhas cobertas de ciprestes e as águas azuis do Lago Nacar a perder de vista. Uma pintura!

A posição geográfica limitou o crescimento e manteve a cidade isolada por décadas. Mas hoje San Martin consegue conciliar bem esse ar de aldeia de montanha com organização e conforto.

Caminhar com calma é o melhor jeito de conhecer tudo. A avenida San Martin, a principal da cidade, tem só 12 quadras, todas recheadas de lojinhas de artesanato, restaurantes e cafeterias quentinhas. Você anda e para num café, anda mais um pouco, e encontra uma chocolateira. Fica até difícil pensar no almoço…

Praça de San Martin.

Praça de San Martin.

As três praças também ficam nesta rua. A mais antiga, San Martin, nasceu junto com a cidade em 1898 e concentra prédios públicos e históricos, todos no estilo montanhês.

Mas o mais gostoso é sentar num banco da praça e ficar só olhando os jardins e aquelas árvores com folhas coloridas em tons de amarelo e vermelho.

LAGO NACAR E QUILA QUINA

Lago Nácar IA avenida San Martin leva à Avenida Costaneira, nas margens do lago Nácar, um lugar delicioso para começar ou terminar o dia.

O Nácar é o último (ou o primeiro, dependendo de onde você parte) da Rota dos 7 Lagos mas, na verdade, faz parte de um emaranhado de lagos colados à Cordilheira dos Andes na fronteira entre Argentina e Chile.

Excursões de barco partem do muelle, o pequeno porto da cidade, até as vilas de Quila Quina e Hua Hum, na fronteira com o Chile, com paradas em praias e ilhotas do lago. Veja os horários e tarifas dos passeios pelo Nacar aqui.

Escola de Quila Quina.

Escola de Quila Quina.

Nós fizemos o passeio de meio dia até Quila Quina, uma pequena vila dentro das terras da comunidade mapuche, os primeiros habitantes da região. Almoçamos no restaurante (razoável) do local e ficamos livres para passear entre bosques de árvores nativas e praias com pedrinhas redondas e grandes árvores. O dia estava nublado e frio deixando a paisagem
assim:

Vista a partir da praia de Quila Quina.

Vista a partir da praia de Quila Quina.

CERRO CHAPELCO

Cerro Chapelco é, claro, a menina dos olhos de San Martin. O centro de esqui é menor que Cerro Catedral, em Bariloche, mas tem ótima infraestrutura, com pistas para todos os níveis de dificuldade, escolinha de esqui e snowboard e vários restaurantes e cafés. Explico todos os detalhes para visitar Chapelco neste post:

Cerro Chapelco, em San Martin de los Andes: como chegar, quanto custa e como é esquiar na Patagônia

Eu sou o pontinho vermelho tentando se equilibrar.

Eu sou o pontinho vermelho tentando se equilibrar.

Em Chapelco, fiz tudo o que tinha de direito: andei de esqui, fiz um boneco de neve, andei de trenó e por aí vai. Com duas crianças se jogando na neve, dá pra realizar todos os desejos de infância. :)

A melhor parte é que você nem precisa esquiar direito para aproveitar a maior atração de Chapelco. Gente do mundo inteiro vem até aqui para apreciar as belíssimas paisagens da Patagônia, com o Lago Nacar e o Vulcão Lanin no horizonte.

PARQUE NAIONAL LANIN

Vista do Parque Nacional Lanin a partir de Cerro Chapelco.

Vista do Parque Nacional Lanin a partir de Cerro Chapelco.

San Martin deve tudo o que é hoje ao Parque Nacional Lanin. Sua criação, em 1937, restringiu o corte de árvores nativas, que era a principal atividade econômica da região desde a chegada dos espanhóis.

Saíram os madeireiros e vieram os turistas atrás da neve e dos rios, lagos e florestas preservadas. Hoje as agências de San Marti oferecem várias opções de passeios, trekking, escaladas e pesca esportiva. Como estávamos com crianças, optamos por uma cavalgada de meio dia pelas montanhas.

O guia era bom, os cavalos pareciam bem treinados e a o percurso prometia belas paisagens, mas, infelizmente, o clima não ajudou. Com a chuva fina e as trilhas enlameadas perto dos precipícios, achei melhor encurtar o passeio e voltar para o bem-bom da cabana.

Onde se hospedar em San Martin de los Andes

Nossa cabaña em San Martin.

Nossa cabaña em San Martin.

Fizemos essa viagem em 2012 e até hoje sentimos saudades da nossa cabaña em San Martin. As Cabañas são construções independentes, com jeito de casa e serviços de apart-hotel, um tipo de hospedagem muito comum na cidade onde não existem construções acima de dois andares.

A localização não podia ser melhor. A Cabañas Luz de Luna (Coronel Diaz, 1195), onde nos hospedamos fica numa rua tranquila que termina nas montanhas, logo na entrada da cidade e pertinho do Lago Nacar.

A rua da nossa cabaña.

A rua da nossa cabaña.

O piso inferior do sobrado tem sala com lareira, banheiro, cozinha equipada e local para guardar esquis e botas de neve. No superior, banheiro com banheira e dois quartos com capacidade para seis pessoas. O aquecimento é tão bom que dava pra dormir de camiseta enquanto nevava lá fora.

Com esta estrutura, pudemos viver quase como moradores, comprando comida nas carnicerias (açougues) e mercados da cidade. É bom pra conhecer a cultura local e ajuda a economizar.

O que e onde comer em San Martin

CARNES

Cordeiro e tábua de defumados patagônicos.

Cordeiro e tábua de defumados patagônicos.

Se você associa comida argentina a carne bovina e parrilha, vai se surpreender em San Martin. A culinária tradicional está presente sim mas divide espaço no cardápio com produtos típicos da Patagônia, como carne de javali, cervo (a caça é regulamentada), cordeiro, salmão e truta.

Vários restaurantes mostram na vitrine seu prato principal: um carneiro inteiro, esticado sobre espetos, assando na brasa, como no nosso “fogo de chão”.

As carnes patagônicas aparecem também na versão defumada. Pedindo a tradicional Tabla de Ahumados, dá pra provar um pouco de tudo. O restaurante El Regional (Av. San Martin, 1201) é um bom lugar para experimentar. O Ku de los Andes ( o nome é esse mesmo, gente…), em frente à praça San Martin, serve boas carnes.

TRUTA E SALMÃO

Salmão delicioso no La Meson de la Patagônia.

Salmão delicioso no La Meson de la Patagônia.

São pescados ou criados nos rios gelados da região e fáceis de encontrar em quase todos os restaurantes. A maioria oferece pratos básicos, com exceção do El Meson de la Patagônia (Calle Rivadavia, 885).

O El Meson é um restaurante discreto para os padrões de San Martin e fora da região mais agitada. Os próprios donos atendem os clientes e explicam os pratos. Comemos salmão, lagostas e uma entrada linda e deliciosa. Pra mim, tem a melhor comida da cidade.

PARA BEBER
Dublin Pub ( Av. San Martin, 599) tem clima descontraído e muito movimento, ótimo pra relaxar tomando uma cervejinha patagônica como a Lacar, produzida em San Martin de los Andes.

CAFÉ E CHOCOLATE

Aproveitando as delícias de San Martin.

Aproveitando as delícias de San Martin.

San Martin é uma perdição, você entra num café e sai com uns dois quilos a mais.

Os chocolates artesanais são vendidos em barras pequenas, com ou sem recheio, em várias combinações de sabores, uma mais deliciosa que a outro. Isso sem falar nos afajores, bombons e sorvetes.

Sorvete da Mamusia.

Sorvete da Mamusia.

A Chocolateria Mamusia tem a fachada toda decorada e ótimos sorvetes. O lugar é tão quentinho que dá pra se deliciar mesmo no inverno patagônico.

Entre as chocolaterias, nossa preferida foi a , que também tem unidades em Bariloche. Além das prateleiras recheadas de doces, ela serve também um chocolate quente dos deuses. Perfeito pra começar um dia na Patagônia.

FOTOS E TEXTO: CASSIANA PIZAIA

——————————————————
Você também pode se interessar por:

De Bariloche a San Martin de los Andes: o inverno na Rota dos 7 lagos
Cerro Chapelco, San Martin de los Andes: como chegar e quanto custa esquiar na Patagônia
O que fazer em Mendoza com crianças: passeios, restaurantes e vinícolas

postado por Cassiana Pizaia

Esqui em Cerro Chapelco, San Martin de los Andes: tarifas, distâncias e dicas

Esqui em Cerro Chapelco, San Martin de los Andes: tarifas, distâncias e dicas

Se a primeira vez a gente nunca esquece, Cerro Chapelco, em San Martin de los Andes, não decepcionou. E não foi apenas porque encarei um par de esquis e uma nevasca, com direito a boneco de neve e trenó, pela primeira vez na vida.

A escolha por Chapelco foi proposital. Queríamos esquiar sim, mas minha veia aventureira pedia mais que um centro de esqui. A ideia era aproveitar a viagem (que não é barata!) para conhecer de verdade a região mais agreste e gelada da Argentina sem a muvuca de Bariloche no inverno.

San Martin de los Andes e Lago Nácar.

San Martin de los Andes e Lago Nácar.

San Martin de los Andes fica na província de Neuquén, colada na Cordilheira dos Ande, no norte da Patagônia. A região tá bem distante dos grandes glaciares, mas você já encontra as paisagens e o estilo de vida da região austral sem precisar embarcar para o fim do do mundo.

Como chegar em Cerro Chapelco

O aeroporto Aviador Carlos Campos, em San Martin, é o mais próximo, mas é interessante chegar por Bariloche, que recebe um número muito maior de voos. Aproveitamos a diária de hotel para conhecer a meca do turismo de inverno da Argentina e, no dia seguinte, partimos para San Martin em carro alugado.

Na Rota dos 7 lagos, rumo a San Martin de los Andes.

Na Rota dos 7 lagos, rumo a San Martin de los Andes.

Há três caminhos possíveis entre Bariloche e São Martin de los Andes, um mais bonito que o outro. Nós fomos pela famosa Rota dos 7 Lagos e voltamos via Junin de los Andes. Conto tudo sobre as duas estradas neste post:

De Bariloche a San Martin de los Andes: o inverno na Rota dos 7 lagos.

O terceiro caminho pode ser acessado no início da Rota dos 7 lagos e passa pelo Paso Córdoba, no alto das montanhas, mas tem um trecho grande em estrada de terra.

Acesso ao Cerro Chapelco

Acesso e estacionamento aos pés da montanha.

Acesso e estacionamento aos pés da montanha.

Seguindo pela Rota dos 7 lagos (Ruta 234), o acesso a Cerro Chapelco fica a 20 quilômetros de San Martin. Neste ponto, toma-se a rodovia 19 e, cinco quilômetros depois, você já está no estacionamento na base da montanha.

Fizemos as indas e vindas entre a cidade e o Cerro de carro, mas dá para chegar facilmente em 20 minutos em micro-ônibus, taxi ou com o translado dos hotéis da cidade

ALUGUEL DE ESQUIS E ROUPAS

Centro de esqui Cerro ChapelcoNão tem como escapar da parafernália da neve mas dá pra tentar economizar.

A loja de Chapelco aluga roupas e equipamentos com a vantagem de oferecer o serviço de guarda-esquis e guarda-botas incluso no preço. Se você locou em outro lugar, vai ter que carregar tudo. E, olha, a peleja costuma ser pior na volta, quando você está exausta e (no nosso caso) ainda tem de carregar os esquis da criançada…

Ainda assim vale a pena pesquisar os preços na cidade. A oferta é grande e a facada tende a ser menor. Na montanha, a locação do equipamento standard de esqui na média temporada custa 425 pesos. Na cidade, aluga-se até por 200 pesos.

Cerro Chapelco - Como irAlém desse equipamento básico ( esquis, bastões e botas), o enxoval indispensável inclui calças, casaco, luvas impermeáveis e óculos de proteção. Alugamos tudo nas lojas de San Martin, com exceção dos casacos e luvas, que trouxemos do Brasil. Os preços variam bastante. Você pode pesquisar e comparar os preços em várias lojas aqui.

Aliás, vale a pena levar luvas e casacos do Brasil. Eles serão úteis o tempo todo, não apenas quando estiver esquiando, e você gasta menos com aluguel. Nós já começamos a usar os nossos em Bariloche!

*Uma dica: Como viajei em agosto, aproveitei as promoções de final de inverno numa grande loja de produtos esportivos daqui. Levei também roupas de baixo e blusas próprios para neve (eles são mais quentes e fazem menos volume). Comprar roupa de inverno em Bariloche e San Martin só se você estiver nadando em dinheiro!

Ah, as cabanas e hotéis costumam ter locais próprios para guardar o material de neve.

Como é o centro de esqui

Chapelco, a 1600 metros.

Chapelco, a 1600 metros.

Cerro Chapelco é menor que os centros de esqui mais famosos da América do Sul. São 12 meios de elevação e capacidade para atender cerca de 15 mil esquiadores por hora. Cerro Catedral, em Bariloche, por exemplo, tem 38 meios de elevação e pode receber o dobro de esquiadores.

Esquiando pela primeira vez e com duas crianças a tiracolo, confesso que achei isso uma vantagem. O principal é que o lugar é muito bem-organizado, considerado um dos melhores e mais bonitos do mundo, e tudo funciona direito.

Na base, há um bom estacionamento, a charmosa cafeteria Abuela Goye, loja, lockers, creche e bilheterias. O serviço de teleférico com cabines leva até o primeiro nível, a 1600 metros, onde fica a estrutura mais completa e a maior concentração de esquiadores da montanha.
Cerro Chapelco - Argentina IIINeste nível funciona o restaurante mais popular do Cerro, o Antulauquen, com serviço self-service razoável e cafeteria. No total, 8 restaurantes e cafeterias funcionam nos vários níveis de Chapelco.

A ladeira gelada em frente é o território dos iniciantes, das crianças da escolinha e dos adultos desajeitados tentando parar em pé sobre os esquis (presente!). Em volta, 28 pistas com vários graus de dificuldade circundam a montanha.

Mas não precisa ser expert para aproveitar o melhor de Chapelco. Dá só uma olhada:

Vista do Lago Nacar a partir do primeiro nível de Cerro Chapelco.

Vista do Lago Nacar a partir do primeiro nível de Cerro Chapelco.

Tirei esta foto do primeiro nível, quando ainda estava na primeira aula! As paisagens incríveis de Chapelco são os maiores atrativos desta montanha. Lá de cima, dá pra ver o vulcão Lanin, as águas do Lago Nacar, dezenas de picos nevados e encostas cobertas de florestas patagônicas. Eu ficaria horas só aproveitando esta vista!

Como é esquiar em Chapelco

Cerro Chapelco - San Martin de los AndesPra quem nunca esquiou, contratar pelo menos uma aula é fundamental. Você aprende os princípios básicos, ganha tempo, que aqui vale ouro, e aproveita melhor a experiência.

Foi o que fizemos no primeiro dia. Mas como a brincadeira custa caro ( veja os valores no final do post), dispensamos as aulas no segundo dia e enfrentamos as pistas fáceis com a cara e a coragem. Para as crianças, tudo tranquilíssimo. Pra mim, nem tanto, mas já consegui me aventurar um pouquito más.

San Martin de los AndesPegamos o teleférico até o segundo nível. De lá, além da vista mais maravilhosa ainda, é possível descer por um caminho diferente e muito, muito divertido.

A pista, ainda em nível iniciante, passa entre os bosques de lengas , uma árvore nativa na Patagônia. Um tombinho aqui e ali faz parte da aventura, mas nada que não termine com uma boa gargalhada. Dá fácil pra levantar, sacudir a neve e seguir em frente com o vento no rosto! 😉

Bosque de lengas em Chapelco.

Bosque de lengas em Chapelco.

Cerro Chapelco - Argentina IIAs pistas entre os bosques, ao lado das paisagens lindíssimas, atraem esquiadores experientes do mundo todo. E o mais legal é que você consegue aproveitar isso tudo mesmo sendo novato no esporte.

Além do esqui: passeando de trenó

Trenó e Jardin de Nieve.

Trenó e Jardin de Nieve.

No terceiro dia, já com o cartão de crédito explodindo, optamos por pagar apenas o acesso ao primeiro nível. Dia de brincar, matar a vontade de fazer um boneco de neve e passear de trenó!

Os passeios partem do Centro, e são pagos a parte. Os trenós são puxados por autênticos cães siberianos e conduzidos por funcionários especializados.

Pode parecer só brincadeira de criança, mas a verdade é que o negócio anda muuuuito rápido. A rota acelerada no meio do bosque faz subir a adrenalina toda vez que você pensa que vai dar de cara com um tronco de árvore. Parece que os cães esperam pra desviar sempre no último minuto! Ufa!

O que fazer na cidade

Apesar de pequena, com apenas 22 mil habitantes, San Martin de los Andes tem boa estrutura turística, hotéis charmosos, bons restaurantes com comida internacional e patagônica, pubs, cafeterias e oferta de passeios pela região, inclusive pelo Lago Nácar.

A cidade é uma delícia. Ver o dia começar nas margens do Lago Nácar, caminhar nas ruas tranquilas e belas, tomar sorvete e comer os chocolates artesanais são prazeres simples e deliciosos de San Martin. Veja nosso post sobre o que fazer, onde ficar e comer na cidade:

San Martin de los Andes: uma cabana, um lago e uma montanha coberta de neve

QUANTO CUSTA ESQUIAR EM CHAPELCO E COMO ECONOMIZAR

Chapelco - como irVou dizer o óbvio: a brincadeira custa os olhos da cara em todos os centros de esqui do mundo. Mas dá pra controlar as despesas, principalmente se o esqui for apenas parte do passeio e não o objetivo único da viagem.

FAIXA ETÁRIA
Se você viaja em família, fique atento aos descontos por faixa etária. Crianças até cinco anos e idosos acima de 70 não pagam. Crianças de 6 a 11 anos, universitários de 18 a 28 anos e pessoas acima de 60 anos tem desconto de 20% em média.

ÉPOCA
A época também faz diferença. Os valores mudam por temporada. A diferença de preço entre a baixa (de 18/06 a 02/07 e 04/09 a 02/10) e a alta temporada (de 10/07 a 30/07) chega a ser de 40%. A desvantagem da baixa temporada é que você vai depender das condições do clima e pode haver pouca neve na montanha.

Eu viajei na temporada média (de 03/07 a09/07 e 31/07 a 03/09), peguei bastante neve e tarifas 20% menores que na alta temporada.

HORÁRIOS E DIAS
Chapelco - San Martin de los AndesO centro funciona das 09h00 as 17h00 dependendo das condições do tempo.

Se você pretende esquiar por vários dias, vale a pena comprar o passe múltiplo. A diária vai diminuindo conforme o número de dias se você adquirir tudo de uma só vez. Mas isso só se for ficar na montanha o dia todo, o que pode ser bem cansativo principalmente para crianças.

Do passe de telecabine até o primeiro nível não dá pra escapar. Se quiser ter acesso aos outros meios de elevação, você pode escolher entre o passe para o dia inteiro ou apenas para a tarde.

Eu comprei um passe de dia inteiro, só uma tarde no segundo dia e só o acesso de tele cabine no terceiro ( neste dia fizemos o passeio de trenó). Neste caso, compensou comprar na hora mesmo.

Tarifas 2016

Na temporada média, o passe de telecabine até o primeiro nível custa 340 pesos para adulto. O passe para o dia todo custa 850 pesos e para a tarde somente, 680 pesos. Por três dias inteiros, você vai pagar 2295 pesos. Para crianças acima de 6 anos e adultos acima de 60, os valores são de 270 pesos ( telecabine), 545 pesos (tarde), 680 pesos ( dia todo) e 1835 pesos ( três dias). Veja a tabela completa de preços no site de Chapelco.

Com estes valores, é muito importante se planejar. Uma família de 4 pessoas, com duas crianças, vai pagar 4280 pesos por um dia em Cerro Chapelco, sem contar alimentação, cursos e o aluguel de roupas.

CURSOS
Aulas de esqui em ChapelcoComo disse antes, um dia de curso pelo menos é muito importante para um iniciante. Mas não é barato.

Duas horas de aula particular custam de 2005 (1 aluno) a 2995 pesos (3 alunos). Se você estiver em família ou com amigos pode formar grupos de 4 a 6 pessoas e pagar um pouco menos.

Mas o mais econômico mesmo é participar de aulas coletivas. São 2375 pesos por três dias de aula (duas horas e meia em cada dia). Também é possível fazer um dia só de aula (depende da disponibilidade de vagas) e se jogar na pista, como eu fiz.

Os tombos fazem parte da paisagem...

Os tombos fazem parte da paisagem…

Se você fez as contas e se animou pra pra ir, a regra é encarar com bom humor o que vem pela frente. O mais importante pra quem está embarcando pela primeira vez neste universo da neve é disposição e olhos abertos para admirar a beleza da Patagônia de camarote.

FOTOS: Cassiana Pizaia

—————————————————-

Você também pode se interessar por estes posts:

-> De Bariloche a San Martin de los Andes : o inverno na Rota dos 7 Lagos
-> O que fazer em Mendoza com crianças: passeios, restaurantes e vinícolas

postado por Cassiana Pizaia
11.07.2016

Como ir de Bariloche a San Martin de los Andes: o inverno na Rota dos 7 lagos

Como ir de Bariloche a San Martin de los Andes: o inverno na Rota dos 7 lagos

A principal dica sobre a Rota dos Sete Lagos, na Argentina, é: não tenha pressa. São apenas 110 quilômetros, mas nós levamos duas horas e meia pra percorrer e não foi por culpa só das curvas e da pista simples. Se prepare pra parar, e muito, simplesmente porque as paisagens são maravilhosas demais pra ficar vendo de relance pela janela.

A rota liga Villa La Angostura e San Martin de Los Andes, no noroeste da Patagônia argentina. Passa, literalmente, pelo meio da Cordilheira dos Andes, circundando picos nevados e grandes lagos pertinho da divisa com o Chile.

Bariloche e Lago Nahuel Huapi.

Bariloche e Lago Nahuel Huapi.

Mas quase todo mundo faz um caminho mais longo, começando ou terminando em Bariloche, há 85 quilômetros de Villa La Angostura. Primeiro, porque o aeroporto de lá tem muito mais opções de voo que o de San Martin. Segundo, porque a Rota é o complemento perfeito de uma temporada no maior destino de neve da Argentina.

Nosso objetivo nesta viagem era fugir da muvuca e ficar em San Martin de Los Andes, mas, lógico, eu não ia perder a chance de dar pelo menos uma olhada em Bariloche. Chegamos um dia antes, conhecemos a cidade e alugamos um carro com correntes para rodas (orientação da locadora).

A caminho de Villa la Angostura

A caminho de Villa la Angostura

Saímos de Bariloche pela Avenida Costaneira e pegamos a Ruta Nacional 40 (antiga 231), acompanhando as margens do maior de todos os lagos da região.

O Nahuel Huapi tem 560 quilômetros quadrados, mais que o dobro da área do município, e forma um gigantesco espelho d’água com vários braços que chegam até Villa La Angostura. O Nahuel não está incluído nos “ 7 lagos” mas você já pode começar a colecionar fotos de cartão-postal da Patagônia.

VILLA LA ANGOSTURA

Villa la Angostura

Villa la Angostura

Chocolates artesanais em Villa la Angostura.

Chocolates artesanais em Villa la Angostura.

Depois de uma hora e meia, com umas paradinhas no meio, chegamos em Villa La Angostura. O lugar tem jeito de vilarejo de montanha, com uma rua charmosa cheia de pequenos restaurantes e cafés.

Apesar do ar despretensioso, é um destino sofisticado, com algumas pousadas bem caras. Tem uma pequena estação de esqui em Cerro Bayo mas muita gente vem também no verão, para aproveitar trilhas, pescarias e passeios de barco no lago.

Nossa parada foi rápida, o suficiente pra nos abastecer de café, empanadas e chocolates artesanais (maravilhosos!). Já fora da cidade, descemos no Mirador Inalco, que tem uma das vistas mais bonitas do Nahuel Huapi de todo o caminho.

OS SETE LAGOS

Mapa da Rota dos 7 lagos

Mapa da Rota dos 7 lagos

A Rota dos Sete Lagos começa oficialmente 11 quilômetros após a cidade, no cruzamento da RN 40 com a RN 231. À esquerda, a estrada leva ao Paso Internacional Cardenal Samoré , porta de entrada para o Chile. À direita, pela RN 40, seguimos em direção a San Martin de los Andes.

Rota dos 7 lagos ainda sem asfalto. O trecho todo foi pavimentado em 2015.

Rota dos 7 lagos ainda sem asfalto. O trecho todo foi pavimentado em 2015.

Quando passamos por lá, a estrada ainda tinha 50 quilômetros sem asfalto e percorrer o trecho no inverno era quase uma aventura (por isso a orientação de levar as correntes). A boa notícia é que Rota dos 7 lagos foi toda pavimentada em 2015 e você só vai precisar de correntes se quiser se aventurar fora da rodovia.

É um caminho quase todo panorâmico. Volta e meia, você dá de cara um lagão transparente emoldurado por montanhas no horizonte. A região, na verdade, tem centenas de lagos de origem glacial, que ocupam uma grande área nos lados argentino e chileno da Cordilheira dos Andes.

Vista do Mirador Inalco.

Vista do Mirador Inalco.

Sete são apenas os maiores lagos, que podem ser vistos da estrada. Mas confesso que depois dos primeiros, já não sabia mais onde começava um e terminava o outro e precisei da ajuda do seo Google Earth pra me situar naquele emaranhado de água.

Os primeiros são o Correntoso, que reaparece em outro ponto do caminho, e o Espejo Grande, que faz jus ao nome refletindo perfeitamente o céu e as montanhas. Mais adiante, no km 31, fica a entrada para Vila Traful, com um belo lago fora da rota.

Rota dos 7 lagos - ArgentinaVoltando ao caminho principal, 20 quilômetros depois, o Lago Escondido surge discreto entre os bosques. Mais adiante, a estrada passa por um pequeno istmo que separa os lagos Falkner e o Villarino.

A cada curva, surge uma daquelas paisagens que quase todo mundo sonha encontrar na vida. Pena que pegamos tempo nublado e não deu pra ver todos os famosos tons de azul daquelas águas.

Patagônia argentina

Neve na Rota dos 7 lagos.

Neve na Rota dos 7 lagos.

Mas na Patagônia, tempo úmido e frio no inverno também pode significar outra coisa: neve! E lá estava ela cobrindo os campos e o acostamento da estrada. Por várias vezes, paramos para ver os pequenos riachos e charcos branquinhos, com as árvores surgindo entre grandes placas de gelo.

Pouco depois da cascata Vuliñanco ( quase não pudemos vê-la por causa da neblina), saímos do Parque Nahuel Hapi e entramos no Parque Nacional Lanin, que protege toda a região até San Martin. Entre um lago e outro, a estrada corta grandes bosques de ciprestes e outras árvores típicas da Patagônia.

Ciprestes no Parque Nacional Lanin.

Ciprestes no Parque Nacional Lanin.

O próximo lago da rota é o Machônico, com mirante natural e apenas um 1,5 km ². um dos menorzinhos da rota.

Cinco quilômetros à frente, no Km 165, fica o acesso à Ruta Provençal 63, que leva ao Paso Córdoba, uma das três opções de trajeto entre Bariloche e San Martin de Los Andes.

Apesar de mais curto, 160 km no total, o trajeto pelo Paso Córdoba tem 56 quilômetros de cascalho. Muita gente toma este caminho na volta para aproveitar as paisagens no alto das montanhas. Nós optamos pela terceira rota, via Junin de Los Andes (conto lá no final).

Cerro Chapelco.

Cerro Chapelco.

Já perto de San Martin, no km 171, está a entrada para o centro de esqui de Cerro Chapelco. E logo depois a entrada para vila Quila Quina. São apenas 12 quilômetros até o balneário, no limite das terras do povo mapuche, mas nós optamos por chegar lá num passeio de barco durante nossa estada em San Martin.

Nos últimos quilômetros da estrada já dá para ver o Lago Nacar. O mirador de Pil Pil é o lugar perfeito para uma foto da região, espremida entre a água e grandes cerros da região. Conto tudo sobre San Martin no próximo post.

San Martin de los Andes e Lago Nácar.

San Martin de los Andes e Lago Nácar.

RETORNO VIA JUNIN DE LOS ANDES

Na volta, optamos por fazer um caminho diferente, seguindo pela RN 40 até Junin de Los Andes e depois pelas rutas 234 e 237 ( veja o mapa acima).

A estrada, toda asfaltada, passa fora da cordilheira, como se fosse um grande contorno. É um trajeto mais logo, com 260 quilômetros, setenta a mais que a Rota dos 7 lagos, mas pode ser percorrido em menos tempo.

Estrada pra Bariloche via Junin de los Andes. A princípio, era uma opção mais prática. Mas acabamos adorando o caminho também. É um ambiente bem diferente da paisagem da cordilheira, com grandes estepes cortados por riachos transparentes e belas formações rochosas. Uma outra cara da Patagônia Argentina.
Estrada Bariloche - San Martin de los AndesBariloche - San Martin de los Andes 1Rota San Martin de Los Andes - Bariloche

FOTOS: CASSIANA PIZAIA

————–
Você pode se interessar também por este post:

-> O que fazer em Mendoza com crianças: passeios, restaurantes e vinícolas

postado por Cassiana Pizaia
29.06.2016

O que fazer em Mendoza com crianças: passeios, restaurantes e vinícolas

O que fazer em Mendoza com crianças: passeios, restaurantes e vinícolas

Quando embarcamos com as crianças para Mendoza, na Argentina, muita gente estranhou. O que fazer com os filhos numa cidade em que as maiores atrações são bodegas e vinhedos? Pois garanto que ninguém surtou, pelo contrário! Nós gostamos muito e eles também.

O segredo é aproveitar tudo o que Mendoza oferece. Sim, a região é a maior produtora de vinho da Argentina, com mais de 1200 bodegas, a terra do malbec, o paraíso dos amantes de vinho. Se o seu negócio for apenas degustar a bebida, melhor ir sem crianças.

Mas Mendoza não se resume a uva. É também uma uma cidade-oásis organizada e gostosa, numa região árida e linda, aos pés da Cordilheira dos Andes. As águas que descem das montanhas irrigam canteiros, praças e parques bem cuidados. Há também ótimos restaurantes, museus e passeios divertidos pra família inteira.

Roteiro de 7 dias em Mendoza

Fizemos esta viagem com as crianças em 2011 e o roteiro permanece bem atual. Visitamos vinícolas, fizemos os principais passeios e aproveitamos bem a cidade. Acho que funciona bem não só para quem está com crianças, mas pra todo mundo que quer curtir Mendoza sem se limitar às bodegas.

Dia 1 – As vinícolas de Maipu e a história do vinho

Tonéis antigos de Maipu.

Tonéis antigos de Maipu.

Chegamos pela manhã em um voo de menos de duas horas desde Buenos Aires e resolvemos partir logo para as vinícolas. Alugamos um serviço de remis (táxis contratados para o passeio completo) indicado pelo hotel e seguimos para Maipu, a 18 quilômetros de Mendoza.

Maipu é uma das três maiores regiões produtoras de vinho do departamento de Mendoza, cuja capital é a cidade de Mendoza. É também o melhor lugar para conhecer a história do vinho na região.

Nossa primeira parada foi na Bodega Lopez. A visita inclui a fábrica, os locais de armazenamento do vinho, um pequeno museu com máquinas antigas ( a parte preferida das crianças) e degustação de um vinho e de um espumante(a nossa preferida!;) ).

A visita é gratuita e começa de hora em hora (seg a sex das 09h às 17h , sábados e feriados, das 9h30 às 12h30). Os horários podem ser ampliados na alta temporada.O tour termina sempre no organizado Centro de Atenção ao Turista, onde são vendidas garrafas de todos os vinhos produzidos na bodega.

Bodega Lopez.

Bodega Lopez.

Várias bodegas de Mendoza, incluindo a Lopez, oferecem almoço harmonizado com vinhos. Mas, como estávamos com as crianças, preferimos comer rapidamente em um pequeno restaurante de Maipu.

À tarde, seguimos para La Rural, uma vinícola tradicional fundada em 1885 pelo italiano Felipe Ruttini. A degustação e a visita (segunda a sábado das 09h00 às 13h00 e das 14h às 17h), com um passeio rápido entre as videiras, seguem o esquema geral. O diferencial fica por conta do Museu do Vinho, um dos maiores da Argentina, com mais de 4000 peças. Um lugar sob medida para crianças curiosas.

O passeio histórico/enológico terminou com uma visita rápida à Antigua Bodega Giol. Ela chegou a produzir metade dos vinhos da Argentina no início do século XX mas hoje é uma espécie de vinícola-fantasma. Não funciona há décadas, mas as máquinas, tonéis e até garrafas continuam lá, congelados no tempo.

-> DICA DE RESTAURANTE: Terminamos o dia diante de uma maravilhosa costeleta de cordeiro no restaurante Bistro M, do hotel Park Hyatt (Chile, 1124, em frente à Praça Independência). O restaurante tem grandes janelas, tapetes aconchegantes (as crianças adoraram!) e cozinha aberta para o salão (eu adorei!)

Dia 2 – As praças de Mendoza

Plaza España.

Plaza España.

Voltar para as bodegas depois de um dia inteiro entrando e saindo delas, provocaria, com certeza, uma rebelião infantil. Resolvemos então desbravar a cidade.

O centro de Mendoza rende fácil um dia de passeio. O ponto de referência é a Plaza Independência, bem arborizada, com brinquedos bem cuidados, feirinha de artesanato e um anfiteatro com apresentações ao vivo nos finais de tarde. A cidade foi reconstruída em torno dela em forma geométrica depois de um grande terremoto em 1961.

Dê uma olhada no mapa:

Mapa de Mendoza.

Mapa de Mendoza.

As avenidas Las Heras, San Marti, Belgrano e Colon delimitam o chamado microcentro, um quadrado com exatas oito quadras em cada lado. Dentro deste quadrado, em torno da praça, ficam outras 4 praças com identidade própria: San Martin, Chile, Itália e España.

Caminhar entre elas dá um ótimo roteiro, com paradas estratégicas para a criançada brincar e tomar picolé.

Começamos pela San Martin. Bem perto, na Avenida las Heras, fica o Mercado Municipal, não muito grande, mas cheio de delícias argentinas. Enchemos a sacola com empanadas, azeitonas, frutas, vinho e alfajores.

De praça em praça, visitamos rapidamente a Bsílica de São Francisco, o Museu Popular Calejero e o Museu del Pasado Cuiano. Mas o mais interessante é mesmo aproveitar o caminho. As árvores são tão grandes que chegam a formar túneis verdes sobre as ruas. O segredo está nos canais de irrigação que levam água do Rio Mendoza, alimentado pelo degelo nas montanhas, a cada esquina da cidade.

Canais de irrigação nas ruas de Mendoza.

Canais de irrigação nas ruas de Mendoza.

Nosso piquenique na Plaza España.

Nosso piquenique na Plaza España.

Terminamos o tour com um piquenique na Plaza España, a mais bonita e divertida, com seus painéis de cerâmica, mosaicos, balanços e gramados.

À tarde, seguimos até o Bairro Cívico ( de taxi, para não cansar mais as crianças). Vale a pena subir até a Terraza Mirador, no alto do edifício da prefeitura, para ter uma visão panorâmica de toda a cidade. A visita é gratuita.

Bisteca gigante do restaurante 1884

Bisteca gigante do restaurante 1884

-> DICA DE RESTAURANTE: Jantamos no Restaurante 1884 (Belgrano, 1188, Godoy Cruz) , do chef Francis Mallman, um lugar aconchegante, com uma área externa deliciosa. Na hora de reservar, avisamos que estávamos com crianças e o pessoal separou para nós uma mesa de canto com sofá próximo à parede. Meu filho mais novo dormiu ali mesmo depois de jantar a famosa bisteca gigante com legumes. O prato é para duas pessoas mas deu com sobra para nós quatro!

Dia 3 – As vinícolas de Lujan de Cuyo

Voltamos às vinícolas, desta vez em Lujan de Cuyo. A cidadezinha charmosa e verde, colada em Mendoza, tem bodegas famosas como a Chandon e Catena Zapata.

Depois de várias visitas, as crianças se cansaram do tour tradicional dentro das fábricas (confesso que eu também!). Procuramos então uma vinícola com bastante área verde, belas paisagens e acesso livre às parreiras. Viajamos em fevereiro e elas estavam carregadas de uvas. Oba!

Bodega Achaval Ferrer - Lujan de CuyoMendoza com criançasAchaval Ferrer foi um achado. Os vinhos da vinícola (aberta em 2006) conseguiu uma das mais altas pontuações de um vinho argentino na Wine Spectator, a revista especializada na bebida. Mas o que me encantou mesmo (desculpem os especialistas) foi o lugar, um recanto cercado por videiras e oliveiras, emoldurados pelos picos nevados da cordilheira.

Depois da visita, relaxamos na varanda tomando um vinho delicioso enquanto as crianças desapareciam no parreiral, “degustando” as uvas maduras. Quer vida melhor? 😉

DICA DE RESTAURANTE: Jantamos no Peatonal Sarmiento, o calçadão que termina na Plaza Independência. O lugar tem vários restaurantes populares com mesinhas na calçada e comida básica. Ótimos pra descontrair e dar um descanso no bolso.

Dia 4 – Parque San Martin e Área Fundacional

Portões do Parque San Martin.

Portões do Parque San Martin.

Mais um dia dedicado à cidade, mas nada de repeteco. Logo cedo, pegamos o ônibus turístico na Plaza Independência e seguimos para o Parque San Matin.

Mesmo que você não viaje com crianças, vale a pena conhecer. O parque gigantesco foi projetado por um paisagista francês no século XIX para servir de pulmão verde para a cidade. Dentro dele, cabem para campo de golfe, velódromo, estádio, lago artificial, fontes, quilômetros de ruas e até uma universidade!

O ônibus sobe ziguezagueando entre as milhares de árvores até o Serro de la Gloria, a parte mais alta do parque. No caminho, passamos pelo zoológico e pelo anfiteatro Frank Romero, onde ocorre a abertura da Fiesta de la Vendima.

Monumento ao Ejército de Los Andes

Monumento ao Ejército de Los Andes

Lá no alto, o ônibus faz uma parada diante do monumento ao Exército de los Andes. É uma homenagem aos homens que atravessaram a cordilheira em lombo de burro para lutar contra as forças espanholas concentradas no Chile. A chamada Cruce de los Andes, liderada por San Martin, ficou famosa na luta pela independência dos países latino-americanos. A figura de San Martin, aliás, é um quase onipresente em Mendoza.

Restaurante Azafrán.

Restaurante Azafrán.

-> DICA DE RESTAURANTE: Na volta, descemos antes da Plaza Independência, para almoçar no Azafrán( Av. Sarmiento, 765). O restaurante, muito recomendado em Mendoza, é uma graça, tem comida bonita e caprichada e um armazém com vinhos, doces e compotas da região. A pedida mais tradicional é o menu da casa com entrada, prato principal e sobremesa.

Parque O’Higgings

Parque O’Higgings

Seguimos depois para a Área Fundacional, a parte mais antiga de Mendoza. O jeito mais divertido de chegar lá é caminhando pelo Parque O’Higgings, uma área verde linear com jardins, ciclovias e parquinhos infantis. Se estiver perto da Plaza Independência, melhor pegar um taxi, porque a pernada até lá é meio longa para a criançada.

Dentro do parque funciona o Aquário Municipal, outra atração que parece improvável numa terra em que quase nunca chove. A água foi retirada do subterrâneo e os peixes, répteis e anfíbios trazidos do distante Rio Paraná.

Museu da Área Fundacional.

Museu da Área Fundacional.

O parque termina na imponente praça Pedro del Castillo, onde a cidade foi fundada em 1561. O Museu da Área Fundacional funciona no local do antigo Cabildo, um prédio administrativo da época colonial soterrado durante o grande terremoto. Dá pra visitar o que sobrou no piso subterrâneo do museu. Na praça, dê uma olhada nas Ruinas de São Francisco, a igreja dos jesuítas também destruída em 1961.

Dia 5 – Cavalgada nas encostas da Cordilheira dos Andes

Cordilheira dos AndesQuem tem criança sabe que elas gostam de ação. Se tiver emoção, então, melhor ainda. Era hora de agitar a programação!

Aproveitando a proximidade com a cordilheira, as agências de Mendoza oferecem vários programas no estilo turismo de aventura: trekkins, raftins, escalada, cavalgadas que duram vários dias.

Optamos por uma versão condensada de cavalgada, duas horas percorrendo a pré-cordilheira com acompanhamento de guias especializados. Foi o suficiente para encantar as crianças sem exigir demais da forma física dos pais…

Foi bem tranquilo. Uma van da agência de turismo Wanka nos deixou na base de operações, onde os guias deram as primeiras instruções. E nem precisamos de muito empenho. Os cavalos eram calmos e acompanhavam naturalmente o líder.

Pra mim, foi perfeito e de bom tamanho. Quando você tem criança pequena, a última coisa que quer ver é um cavalo em disparada perto de um precipício. Enquanto passávamos devagarinho por paisagens de cair o queixo, o guia nos deu uma aula prática sobre a geografia, as plantas e os costumes da região.

Dia 6 – Alta Montaña, Aconcágua e fronteira com o Chile

Vinhedos em Lujan .

Vinhedos em Lujan .

O passeio mais esperado (pelo menos por mim!) ficou para o último dia.

O circuito Alta Montaña, um clássico de Mendoza, dura o dia todo. Cansa um pouco mas tem a vantagem de unir as maiores atrações da região em um único trajeto. E as crianças podem descansar no conforto de um bom ônibus turístico entre uma parada e outra.

Saindo da cidade, o ônibus acompanha o rio Mendoza em boas estradas até a fronteira com o Chile. A primeira parada é na represa de Potrerillos, onde as águas são represadas antes de seguirem em canais para as plantações e a cidade.

A 167 de quilômetros de Mendoza, entramos a vila de Los Penitentes, onde fica o maior centro de esqui da região. Como estávamos na primavera, não havia neve e as pistas estavam fechadas. Mas pudemos subir de teleférico até o alto da montanha, onde a vista é realmente incrível.

A atração seguinte foi a Puente de los Incas, uma formação natural colorida em tons de laranja pelas substâncias químicas presentes na água do Rio Las Cuevas e nas fontes de águas termais.

Já perto da fronteira, entramos no Parque Provincial Aconcágua. Muitos alpinistas iniciam aqui sua escalada até o pico da montanha mais alta da América do Sul. A parte que nos coube foi olhar e sonhar, aproveitando um mirante estratégico na beira da estrada.

Nossa dose de adrenalina ficou por conta da subida ao Cristo Redentor, um monumento a 4200 metros de altura que simboliza a amizade entre argentinos e chilenos. Pra chegar lá, já na divisa com o Chile, é preciso que as condições do tempo sejam favoráveis. Tivemos sorte! Faz frio e venta muito,( é preciso proteger as crianças)mas você se vê entre os grandes picos, diante das paisagens mais deslumbrantes de toda a viagem!

Villaciencio.

Villaciencio.

Descer pela estrada estreita, serpenteando montanhas e abismos, é de gelar a alma de qualquer mãe, mas dá pra sobreviver…rs. Almoçamos num restaurante básico do povoado de Las Cuevas e fizemos uma visita rápida ao Hotel Termal de Villavicencio, fechado desde 1974, mas ainda com belos jardins. O passeio durou quase 12 horas ( há passeios mais curtos, que excluem Villavicencio)e, com certeza, valeu a pena.

Dia 7 – Retorno

Antes de embarcar de volta, só deu tempo mesmo de dar uma volta de despedida no Peatonal Sarmiento. No final, acho que as crianças, em vez de atrapalhar ( como muita gente imaginou), nos ajudaram a aproveitar melhor a cidade. Acabamos conhecendo Mendoza melhor que a maioria dos turistas focados só no caminho do vinho. :)

FOTOS: Cassiana Pizaia

—————————-

postado por Cassiana Pizaia
29.04.2016

Restaurante Imperial: o clássico bom e barato do centro de Curitiba

Restaurante Imperial: o clássico bom e barato do centro de Curitiba

Tenho uma queda por restaurantes tradicionais, aqueles antiguinhos, sem frescura, com comida gostosa e popular. O mundo muda, as modas passam e eles ficam, década após década. O Restaurante Imperial é um destes clássicos aqui de Curitiba, está sempre cheio de clientes fiéis que nunca param de puxar a fila.

Eu sempre me lembro dele por uma razão bem pragmática. O restaurante fica bem no centro, a uma quadra do Calçadão da XV ( Rua das Flores), perto da Praça Carlos Gomes e da muvuca do comércio. A localização é ótima pra almoçar na região, sem precisar pegar carro.

-> O que fazer em Curitiba: Comece pela Rua das Flores

Onde comer no centro de CuritibaAinda assim foi um dos poucos restaurantes antigos que sobreviveram na área sem apelar para o buffet por quilo. O Imperial continua servindo no antigo sistema à la carte mas achou a fórmula para combinar comida boa, preço decente e agilidade.

Falar de agilidade por aqui é até engraçado. O restaurante está aberto desde 1966. As paredes são cobertas por imagens antigas da cidade. E os garçons, pelo menos a maioria, tem décadas de bandeja.

O garçom Ramiro, o mais antigo do Imperial.

O garçom Ramiro, o mais antigo do Imperial.

O mais antigo da casa é o Ramiro, com 38 anos de casa, mas vários outros não parecem muito mais novos do que ele. Não sei, mas tendo a gostar de um lugar onde os garçons são felizes (ninguém trabalha tanto tempo tendo opção melhor, né…).

Pois estes senhorzinhos são eficientes, gentis, simpáticos e prestativos. Tá bom, mas e a comida, vale a pena? Se não valesse, o Imperial não estaria cheio todo dia.

Há vários pratos disponíveis no cardápio, com destaque para o mignon imperial, com aspargos, brócolis, palmito e cogumelos salteados na manteiga (R$58,00 para duas pessoas). Mas o melhor é seguir a programação fixa da semana e pedir o prato (ou pratos) do dia.

Onde comer no centro de Curitiba INa segunda, tem virado à paulista (R$39,90). Na terça, dobradinha (R$32,90) e costela. Na quinta, paella valenciana (R$59,90) e rabada com polenta (R$37,00). Nas quartas e nos sábados, o restaurante lota com a feijoada completa (R$45,90) Atenção, estes preços são para DUAS pessoas. Prato individual é mais barato.

Restaurante em Curitiba - ImperialMeu almoço da sexta passada foi este prato aí da foto, costela assada no forno e acompanhada por salada de tomate e cebola, arroz, maionese e salada. Carne mesmo, sem aquele monte de gordura que a gente vê por aí. Comemos em duas pessoas (R$37,90 para dois) e sobrou costela.

Ou seja, ambiente agradável, comida boa e mais barata que muito self-service. E no centro.

Serviço:

ONDE FICA: Rua José Loureiro, 135, Centro. Fica perto da Praça Carlos Gomes, entre a Av. Marechal Floriano Peixoto e a Alameda Dr Murici.

POR PERTO: A Avenida Floriano Peixoto começa na Praça Tiradentes, onde estão a Catedral de Curitiba e um ponto da Linha Turismo. Se você estiver na praça, é só seguir pela avenida em direção ao Calçadão da XV (Rua das Flores) e virar à direita na terceira quadra. O Imperial fica a duas quadras do calçadão.

Horário de Funcionamento: Segunda a Sábado das 11h30 às 15h00.

FOTOS: CASSIANA PIZAIA
——————————

Veja também este outros clássicos de Curitiba:

-> Os 10 melhores restaurantes árabes de Curitiba para comer e se divertir
->Al Baba: A confeitaria árabe de Curitiba
-> O que fazer em Curitiba? Comece pela Rua das Flores

postado por Cassiana Pizaia