26.09.2016

Dunas, praias e leões-marinhos em Cabo Polonio, no Uruguai

Dunas, praias e leões-marinhos em Cabo Polonio, no Uruguai

Chegar em Cabo Polônio já é uma aventura. Isso ajude a explicar como um lugar sem luz elétrica, água encanada e uma comunidade de leões-marinhos maior que a de humanos sobrevive escondido no litoral uruguaio.

Não que as distâncias sejam grandes. Do Chuí, na divisa entre Brasil e Uruguai, até Polonio são apenas 100 quilômetros por estrada boa. Partindo de Montevidéu, são 262 quilômetros margeando o Rio da Prata e o mar.

Polônio foi nossa última parada depois de um giro grande pelo interior e pelo litoral do Uruguai. Vínhamos de Punta de Leste, o destino mais badalado do país, completamente diferente do que encontramos em Cabo Polônio. Veja nosso roteiro completo neste post:

De Porto Alegre a Montevidéu: como ir e o que visitar

O transporte em Cabo Polônio

Pra começar, você não chega de carro ou ônibus convencional. Entre a estrada e a praia, onde fica o povoado, são 7 quilômetros de bosques, praias e dunas móveis com até 20 metros de altura. O único trecho que restou da longa faixa de dunas gigantes do litoral uruguaio hoje faz parte de um Parque Nacional.

A entrada de qualquer veículo particular no parque é proibida. Resta encarar o trecho a pé, a cavalo ou embarcar numa camionete 4 X 4 adaptada, um veículo curioso, bem difícil de descrever. Dá só uma olhada:

A caminho de Cabo Polonio.

A caminho de Cabo Polonio.

Eles partem do Centro de Visitantes, que fica no quilômetro 264 da Ruta 10 . No local, há estacionamento, banheiros e guichês para venda de ingressos.

Apesar do jeitão esquisito, o transporte ainda me pareceu mais viável que atravessar as dunas camelando embaixo do sol. Depois de quase meia hora sacolejando com os cabelos ao vento (fiquei imaginando como é percorrer isso no inverno), chegamos a um dos lugares mais bonitos que vi no litoral uruguaio.

A vila e as praias de Polonio

o-que-fazer-cabo-polonio-2A praia tem areia branquinha, água gelada e quase ninguém. Leis ambientais controlam o turismo e protegem plantas e animais ameaçados de extinção, como rãs e tartarugas. Mais de 50 tipos de peixes, camarões e lagostas se reproduzem aqui e a baleia austral costuma dar as caras entre setembro e novembro.

De longe, mal dá pra ver o povoado. Cabo Polônio tem menos de 100 moradores fixos. Pequenas casas brancas e simples se espalham na ponta da pequena península, cercadas pelo mar e pelas dunas.

cabo-polonioToda a água é retirada de poços e a energia vem de geradores domésticos alimentados pelo calor do sol ou pelo vento. Ainda assim, várias casas viraram pequenos restaurantes e pousadas. Algumas são puro improviso, outras cultivam aquele jeitão meio hippie de ser.

O que ver e fazer em Cabo Polônio

leao-marinhoUm dia é suficiente para conhecer as atrações de Cabo Polônio. Depois de descer no centrinho, nós seguimos a pé pelo Camino Posadas em direção ao mar na ponta rochosa da península. Nem precisamos andar muito para encontrar o primeiro deles. Encostado nas rochas, um leão-marinho enorme tomava sol em se incomodar com os turistas fotografando a meio metro de distância.

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Farol de Cabo Polonio.

Farol de Cabo Polonio.

Subindo o morro que leva ao Farol de Cabo Polônio, vimos logo a colônia inteira. Centenas de lobos- marinhos de todos os tamanhos ocupam a três pequenas ilhotas de pedra bem perto da costa.

É uma das maiores colônias do continente e uma das únicas tão perto da costa. A captura destes animais deu origem à vila no século XIX e só foi totalmente proibida em 1992. Hoje, eles criam os filhotes logo ali, diante dos olhos dos turistas

lobo-marinho-cabo-polonioPara ver melhor a colônia, é interessante subir os degraus do farol, na parte mais alta de Cabo Polônio. Vale a pena o esforço. Lá em cima, a 40 metros de altura, você tem uma vista panorâmica maravilhosa de toda a região.

A praia Sur tem menos vento e é mais frequentada pelos turistas. Ao norte, a Praia Calavera segue até Valizas, um trecho que os mais animados podem fazer a pé num percurso de quase 12 quilômetros.

Vista do alto do Farol.

Vista do alto do Farol.

Esse lugar ficava exatamente na divisa entre as possessões espanholas e portuguesas, era refúgio de piratas e temido pelos marinheiros. Vários navios naufragaram aqui antes da construção do farol, em 1881. Em 1753, um barco espanhol afundou com o capitão Polloni, que acabou dando nome ao lugar.

Retornamos à vila pelo Camino al Faro, na parte alta do Cabo. Na volta, vários turistas nos falaram sobre a tranquilidade e a beleza desse lugar à noite, sem o barulho e as luzes da cidade. Saímos de lá já com uma baita vontade de voltar.

Informações práticas

MELHOR ÉPOCA PARA IR A CABO POLÔNIO
Os lobos-marinhos podem ser vistos durante o ano todo, mas a temporada vai de dezembro a março, quando a maioria dos bares e restaurantes abre e o transporte é mais frequente. Entre maio e setembro, faz frio e venta muito. Entre setembro e novembro, também é possível observar baleias.

DINHEIRO
Não existem bancos, nem caixas automáticos e os cartões não são aceitos. Melhor levar dinheiro vivo, em pesos ou dólares.

COMO IR A CABO POLÔNIO DE CARRO

Vindo de Montevidéu

Ruta Interbalneária..

Ruta Interbalneária..

Saia da capital pela Ruta Interbalneária. Se quiser ir direto a Cabo Polonio, pegue a Ruta 9 e, na entrada para La Paloma, entre à direita na Ruta 15. Vá até o cruzamento com a Ruta 10 e vire à direita novamente. Siga em frente até o Centro de Visitantes de Cabo Polônio.

Meu roteiro incluiu Punta del Este e La Paloma. Se optar também por esse trajeto, siga pela Ruta Interbalneária até Punta. De lá, há dois caminhos possíveis. No mais rápido, você sai da cidade pela Ruta 39 e depois pega a Ruta 9. Em seguida, segue pelas rotas 15 e 10.

A opção mais demorada e próxima do mar é toda pela Ruta 10. Você entra nela já na saída de Punta del Este e segue direto até Cabo Polônio.

Vindo do Brasil
Vá pela BR 471 até o Chuy e siga pela Ruta 9 até Castilhos. Pegue depois as Rutas 16 e 10 até o Centro de Visitantes.

COMO IR A CABO POLÔNIO DE ÔNIBUS

Centro de visitantes de Cabo Polonio.

Centro de visitantes de Cabo Polonio.

De Montevidéu
Pegue ônibus no terminal de Tres Cruces para Cabo Polônio ou Valizas. Veja horários e outras informações no site www.trescruzes.com.uy
Vindo do Brasil
Os ônibus da empresa Rutas del Sol, que fazem a linha entre Chuí e Valizas, param na entrada do Centro e Visitantes de cabo Polônio.

TRANSPORTE E ESTACIONAMENTO EM CABO POLÔNIO

Horários: durante a temporada alta, os veículos 4×4 saem do terminal das 07h30 às 20h30. O retorno é das 08h às 21h. Fora de temporada, a frequência diminui.
Preços: 170 pesos uruguaios. Crianças menores de 5 anos não pagam.
Estacionamento: livre até 1 hora. Até 6 horas, o valor é de 150 pesos. De 6 a 12 horas, 180 pesos. Por 24 horas, 220 pesos.

OUTRAS DICAS
Não esqueça do chapéu e do protetor solar. O caminhão de transporte não tem proteção e há pouca sombra em Cabo Polônio.

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FOTOS: CASSIANA PIZAIA

postado por Cassiana Pizaia

Viagem de carro entre Porto Alegre e Montevidéu: como ir e o que visitar

Viagem de carro entre Porto Alegre e Montevidéu: como ir e o que visitar

Entrar no Uruguai, vindo de Porto Alegre, é quase a continuação natural de uma viagem pelo sul do Rio Grande. Você vai dirigindo e, quando vê, já está lá.

A fronteira seca e tranquila, a paisagem aberta dos pampas e as distâncias curtas funcionam muito bem numa viagem de carro. Em 10 dias, atravessamos todo o centro e leste do Uruguai, incluindo as praias. Começamos e terminamos em Porto Alegre, mas com caminhos e paradas diferentes na ida e na volta.

Veja o roteiro (em azul) no mapa:

Nosso roteiro pelo Rio Grande do Sul e Uruguai.

Nosso roteiro pelo Rio Grande do Sul e Uruguai.

Na ida, seguimos para o interior do Rio Grande do Sul, paramos em Pelotas e Santana do Livramento. Entramos no Uruguai por Rivera e atravessamos os pampas uruguaios até Montevidéu.

Depois de dois dias na capital, seguimos até Punta del Este e subimos todo o litoral uruguaio, com paradas em La Paloma e Cabo Polônio. Entramos no Brasil pelo Chuí e voltamos a Porto Alegre passando pela Reserva do Taim e a cidade de Rio Grande.

O que é preciso para viajar de carro no Uruguai

roteiro-de-carro-pelo-uruguai CARRO PRÓPRIO
Se o carro estiver em seu nome, você vai precisar levar seu RG em bom estado, carteira de motorista, documento do carro e seguro com validade no Uruguai. É fácil comprar este seguro, a chamada Carta Verde, em corretoras dos municípios próximos à fronteira. No nosso caso, a locadora providenciou tudo.

Se o carro for de outra pessoa, é preciso obter uma autorização do proprietário com firma reconhecida em cartório e legalizar o documento em um consulado uruguaio. No Rio Grande do Sul, há consulados em Porto Alegre, Pelotas, Bagé, Santana do Livramento, Quaraí, Jaguarão e Chuí.

CARRO ALUGUADO
A maioria das grandes locadoras não permite a entrada de carros no Uruguai, mas algumas empresas locais não têm restrições desde que você pague pela Carta Verde e pelas autorizações. Na Locarcar, onde nós locamos o carro, estas taxas custam hoje R$800,00 , fora o valor do aluguel. Fiz contato por telefone também com a Pontual Locadora, que cobra R$750,00, mas não tem serviço de entrega no aeroporto.

REGRAS DE TRÂNSITO
São parecidas com as brasileiras. É obrigatório manter o farol baixo ligado durante o dia nas rodovias.

De Porto Alegre a Santana do Livramento/Rivera

605 Km pelas BRs 116 ( via Bagé)
O trajeto mais rápido (500 km) entre as duas cidades é pela BRs 290 e 158, mas nós preferimos um roteiro mais ao sul, pela Br 116, passando por Pelotas e Bagé, já entrando no clima “gaúcho da fronteira”.

DE PORTO ALEGRE A PELOTAS

260 km pela BR 116

Mercado Central em Pelotas.

Mercado Central em Pelotas.

Em Pelotas começamos a entrar na história do Rio Grande. A cidade enriqueceu no século XVIII com a produção de charque, carne seca e salgada que era enviada para o Brasil todo em navios ou lombo de burro.

Passamos uma noite lá, mas dá pra ver as principais atrações em algumas horas. A maioria das construções históricas formam um conjunto tombado pelo Patrimônio Histórico em torno da Praça Cel. Pedro Osório. O lugar virou cenário da série A Casa das Sete Mulheres e do filme O Tempo e o Vento.

A uma quadra da praça, fica o Mercado Central, todo restaurado e ocupado por barbearias e pequenas lojas. Aproveitamos pra experimentar os famosos doces de Pelotas. As delícias têm selo, certificado de procedência e uma associação que protege as receitas tradicionais de origem portuguesa.

DE PELOTAS A SANTANA DO LIVRAMENTO

343 km pelas BRs 293 e 159

Pampas gaúchos.

Pampas gaúchos.

Essa região tranquila já foi território de maiores batalhas do sul do continente.

Bagé, quase no meio do caminho, foi colonizada por jesuítas, disputada por espanhóis e portugueses, brasileiros e argentinos. Depois, foi a vez de legalistas e farrapos se digladiarem durante a Revolução Farroupilha. Por pouco tempo, Bagé chegou a ser capital orgulhosa da proclamada República Riograndense.

Hoje ela é uma espécie de capital da cultura gaúcha. Tem a feira agropecuária mais antiga do país, festa internacional do churrasco e festivais de música regional. Um bom lugar para almoçar um churrasco a caminho da fronteira.

Para chegar aos restaurantes, entre à esquerda na rotatória e siga pela Avenida Santa Tecla até o centro.

Santana do Livramento e Rivera

Rivera, Uruguai.

Rivera, Uruguai.

Santana do Livramento respira fronteira. São mais de 100 quilômetros lado a lado com os vizinhos uruguaios. Apenas uma avenida e a Praça Internacional separam o centro da cidade de Rivera, no Uruguai.

Mas a divisão é só no mapa porque, no dia-a-dia, todo mundo passa de lá pra cá e daqui pra lá sem impedimento nenhum. Do lado uruguaio, as lojinhas da rua principal, a Sarandi, funcionam com o free shops. Fora isso, Rivera tem cara de cidadezinha comum, nada a ver com confusão de Ciudad del Este, no Paraguai.

Fora do centro,o Siñeriz Shopping é o melhor lugar pra comprar. A cota pra quem está de carro ou ônibus é de 300 dólares por pessoa.

Estância em Santana do Livramento.

Estância em Santana do Livramento.

Não dá para ficar imune a um bom free shop, mas eu estava era de olho nos pampas. A Estância Cerros Verdes, uma fazenda com mais de 200 anos de história, foi nossa casa na campanha gaúcha. Conto detalhes no próximo post.

De Rivera a Montevidéu

505 km pela Ruta Nacional 5

Não esqueça de registrar a entrada no Uruguai no postos policiais da fronteira. Não fomos parados nenhuma vez, o único policial que vimos estava dormindo no posto de fiscalização, mas não vale a pena arriscar. Na volta, é preciso registrar também a saída do país.

A Ruta Nacional nº 5 corta o Uruguai de norte a sul. Nesta planície imensa, cobertas de capim, surgiu a figura do gaucho (gaúcho pra nós). Eram homens que viviam independentes, acampados nos campos, laçando e vendendo a carne dos rebanhos que se reproduziam livres pelos campos.

Tacuarembó.

Tacuarembó.

Pampas uruguaios

Pampas uruguaios

Criar gado ainda é a principal atividade e pouca gente vive por aqui. Tacuarembó(uma boa opção de parada há 115 km de Rivera )é a maior cidade do interior e tem apenas 50 mil habitantes.

Na entrada de Paso de los Toros, quase na metade do trajeto até Montevidéu, uma grande estátua de um touro marca o ponto onde os animais atravessavam o Rio Negro a caminho do porto. Mas não programe muito tempo para paradas. O melhor a fazer ao atravessar o interior do Uruguai é seguir em frente pela imensidão dos pampas.

Montevidéu

Teatro Solis em Montevidéu.

Teatro Solis em Montevidéu.

Só perto de Montevidéu é que a paisagem fica mais urbana.A capital tem sozinha mais metade da população do país, cerca de um milhão e meio de habitantes.

Dois dias são suficientes para o principal: conhecer a cidade velha, comer carne assada na parrilla no Mercado do Porto, caminhar na Rambla às margens do Rio da Prata, visitar o Palacio Legislativo e a Feira Tristan Narvaja( se for domingo).

Mas o mais bacana é observar sem pressa o jeito de viver dos uruguaios. Esse pequeno país, espremido entre dois gigantes, tinha tudo para virar um quintal sem identidade. Mas o Uruguai fez o improvável e criou uma cultura única misturando influências de todos os lados.

Conto mais nos próximos posts. 😉

De Montevidéu a Punta del Este

140 Km pela Rota Interbalnearia

Ruta Interbalneária, com Punta del Este no horizonte.

Ruta Interbalneária, com Punta del Este no horizonte.

O caminho até o principal destino de praia do Urugai já é um passeio delicioso. A Ruta segue as margens do rio da Prata com vários pontos panorâmicos, praias, quiosques e vilas charmosas.

Punta del Este

Monumento aos Afogados, em Punta,

Monumento aos Afogados, em Punta,

Pra quem é fã de mar azul, pode ser difícil entender a fama de Punta del Este. Suas areias passam longe do padrão “praia paradisíaca” clássico. Mas Punta é Punta por causa da localização, do agito, do luxo e do conforto.

Perto da cidade, a Rota Interbalnearia vira uma bela avenida cercada por calçadões e prédios elegantes. O Hotel e Cassino Conrad chama atenção logo na entrada. Seguindo em frente, chegamos até a pontinha da enseada, onde na teoria o rio encontra o mar.

Porto de Punta.

Porto de Punta.

Na parte mais estreita da enseada, só três quadras separam os dois lados. O lado voltado para o rio forma uma baía e o porto, que mais parece uma marina elegante com iates e barcos de passeio. A Praia Mansa, sem ondas, começa ali. As praias mais bonitas ficam do outro lado, voltadas para o mar. “O Monumento aos Afogados”, os famosos dedos que brotam da areia, marcam o início da Praia Brava.

Na manhã seguinte, conhecemos o centro, que não é muito grande. A principal avenida, a Gorlero, é recheada de lojinhas, cafés e restaurantes. Quase todos fecham tarde da noite e abrem após as 10 da manhã, uma prova de Punta combina mais com balada do que com praia.

Infelizmente, nosso único dia lá foi também o único de chuva em toda a viagem. Pegamos um temporal daqueles, com uma ventania tão forte que tivemos que nos esconder nas lojas… ;).
Acabamos voltando para a estrada.

De Punta a La Paloma

116 KM pela Ruta 10

Para ir de Punta de Este direto ao Chuí, o GPS normalmente indica as Rutas 9 e 39. O caminho por elas é mais rápido, mas passa longe da costa. Já a rota 10 segue o litoral e tem acesso a todas as praias do litoral uruguaio.

É o caminho que os descolados de Punta costumam pegar em busca de praias mais tranquilas. Há 40 quilômetros fica José Inácio, uma colônia de pescadores que virou posto avançado do balneário na alta temporada.

Com o tempo ruim, resolvemos seguir viagem, saindo do Departamento de Maldonado e entrando no Departamento de Rocha, uma região de pequenos balneários.

La Paloma

Farol de La Paloma.

Farol de La Paloma.

O Farol do Cabo de Santa Maria, construído em 1874, é a maior atração de La Paloma. A praia próxima é cheia de conchas e rochas, linda de se ver. Há praias melhores para banho, mas não é nada espetacular. De qualquer maneira, ventava muito e o clima estava mais pra blusa de frio que roupa de banho.

La Paloma é uma das praias mais estruturadas do litoral uruguaio e ainda assim é um lugar simples e pacato, com poucas opções de restaurantes e hotéis. Ficamos no Uy Proa Sur, um hotel confortável, pertinho do Farol. A pequena piscina interna aquecida nos salvou do mau tempo.

Cabo Polônio

Leões-marinhos em Cabo Polônio.

Leões-marinhos em Cabo Polônio.

Cabo Polônio não tem a fama de Colônia, Punta ou Montevidéu. Mas foi o lugar que mais me impressionou no litoral uruguaio. Ficamos lá apenas algumas horas e deu uma vontade enorme de voltar e me internar lá por uns dias.

Chegar já é uma aventura. O Centro de Visitantes fica nas margens da rodovia, a 120 quilômetros de Punta del Este. É preciso deixar o carro no estacionamento, comprar passagem e encarar o transporte local, um caminhão adaptado meio maluco que percorre restingas e dunas até a praia.

Do outro lado, escondido do mundo, fica o refúgio de uma das maiores colônias de lobos marinhos da América do Sul. Perto dele, um farol, uma praia linda e um povoado sem luz elétrica com ares de refúgio hippie. Conto tudo nos próximos posts.

Entre o Chuy e o Chuí

Chuí e Chuy.

Chuí e Chuy.

De Polônio, seguimos direto para o Brasil para chegar à fronteira ainda com o comércio aberto.

O Chuí brasileiro forma uma única cidade com o Chuy uruguaio. O canteiro da avenida principal separa as duas cidades. De um lado, bancos em verde e amarelo, supermercados e lojas de roupas tradicionais. Do outro, cores azuis e um monte de lojinhas vendendo eletrodomésticos e quinquilharias importadas por isenção de impostos.

Ver estes dois mundos diferentes funcionando frente a frente é a maior (talvez a única) atração do lugar. Sem falar naquela sensação meio boba de estar pisando no ponto mais ao sul do Brasil, com um pé lá e outro cá.

Do Chuí a Rio Grande

Estação Ecológica do Taim.

Estação Ecológica do Taim.

Pousar no Chuí estava fora de questão. Contamos com o tempo bom e o horário de verão ( com luz até quase 21h) pra percorrer os quilômetros até Rio Grande.

Foi um dos trechos mais lindos de toda a viagem. A BR 471 percorre um estreito corredor de terra, entre o mar e Lagoa Mirim, a segunda maior do Brasil ( só perde para a Lagoa dos Patos, também no Rio Grande).

O grande conjunto de praias, pântanos, ilhotas e mangues formam a Estação Ecológica do Taim, uma área de proteção de aves e outros animais que podem ser vistos da janela do carro.

As imagens do pôr-do-sol pintando as águas do Taim são daquelas que a gente guarda para sempre na memória de uma viagem.

Rio Grande e a volta a Porto Alegre

324 KM pelas BRs 392 e 116
Dormimos em Rio Grande no primeiro hotel que encontramos e fizemos um passeio rápido pela cidade na manhã seguinte.

Rio Grande é a cidade mais antiga do estado

Capela Francisco de Assis.

Capela Francisco de Assis.

Rio Grande é a cidade mais antiga do estado e fica numa posição estratégica, entre o mar e a Lagoa dos Patos. Em uma caminhada no centro, conhecemos a Praça Xavier Ferreira, com árvores centenárias, monumentos antigos e jardins bem cuidados. A capela Francisco de Assis, de 1814, fica em frente. A uma quadra, estão o antigo prédio da Alfândega e a região das docas, onde ainda se vende peixe e camarão.

Nosso almoço foi na longa Praia do Cassino, a 25 quilômetros do centro. Pra chegar lá, pegamos a BR 392 em direção ao ponto onde as águas da lagoa encontram o mar. Da estrada, se vê o porto, o segundo em movimentação de cargas do país.

A avenida principal de Cassino vira a RS 735, que leva à BR 392 na entrada da cidade. Seguimos por ela até Pelotas, e depois, pela BR 116, até Porto Alegre.

Fotos: Cassiana Pizaia

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postado por Cassiana Pizaia

San Martin de los Andes: o que fazer entre os lagos e a cordilheira

San Martin de los Andes: o que fazer entre os lagos e a cordilheira

Imagine uma cidadezinha com casas de madeira e pedra escondidas entre um lago de águas azuis e montanhas cobertas de neve. Pois San Martin de Los Andes, na Patagônia argentina, é bem isso. Quase uma versão austral de uma vila de conto de fadas.

Se não bastassem a beleza e o charme, a cidade ainda consegue unir outras coisas que parecem inconciliáveis no inverno: um centro de esqui famoso, tranquilidade e um ar de vida real entre o vai-e-vem de turistas.

Rua do centro de San Martin.

Rua do centro de San Martin.

Era bem isso o que eu procurava quando embarquei com a família para o sul da Argentina no inverno de 2012.

A escolha mais óbvia seria Bariloche, a capital do turismo de neve na Argentina, também na província de Neuquén. A cidade tem o maior centro de esqui da América do Sul e recebe um número de voos muito maior que o aeroporto de San Martin de los Andes.

Mas esquiar era só parte do nosso plano. Gente, eu estava pisando na Patagônia pela primeira vez, a viagem não é barata e minha curiosidade pedia neve, mas não cabia num centro de esqui.

A caminho pela Rota dos 7 lagos.

A caminho pela Rota dos 7 lagos.

Reservamos um dia para conhecer Bariloche e, na manhã seguinte, seguimos de carro para San Martin pela Rota dos 7 lagos. Conto sobre o caminho, entre os picos da Cordilheira dos Andes, neste post:

De Bariloche a San Martin de los Andes: O inverno na Rota dos 7 lagos

O que fazer em San Martin de los Andes

A CIDADE

Chegando em San Martin de los Andes.

Chegando em San Martin de los Andes.

Quando vi San Martin pela primeira vez, de um mirante da estrada, parecia que estava chegando num lugar perdido no mundo. A cidade de 20 mil habitantes se mistura com o cenário, com montanhas cobertas de ciprestes e as águas azuis do Lago Nacar a perder de vista. Uma pintura!

A posição geográfica limitou o crescimento e manteve a cidade isolada por décadas. Mas hoje San Martin consegue conciliar bem esse ar de aldeia de montanha com organização e conforto.

Caminhar com calma é o melhor jeito de conhecer tudo. A avenida San Martin, a principal da cidade, tem só 12 quadras, todas recheadas de lojinhas de artesanato, restaurantes e cafeterias quentinhas. Você anda e para num café, anda mais um pouco, e encontra uma chocolateira. Fica até difícil pensar no almoço…

Praça de San Martin.

Praça de San Martin.

As três praças também ficam nesta rua. A mais antiga, San Martin, nasceu junto com a cidade em 1898 e concentra prédios públicos e históricos, todos no estilo montanhês.

Mas o mais gostoso é sentar num banco da praça e ficar só olhando os jardins e aquelas árvores com folhas coloridas em tons de amarelo e vermelho.

LAGO NACAR E QUILA QUINA

Lago Nácar IA avenida San Martin leva à Avenida Costaneira, nas margens do lago Nácar, um lugar delicioso para começar ou terminar o dia.

O Nácar é o último (ou o primeiro, dependendo de onde você parte) da Rota dos 7 Lagos mas, na verdade, faz parte de um emaranhado de lagos colados à Cordilheira dos Andes na fronteira entre Argentina e Chile.

Excursões de barco partem do muelle, o pequeno porto da cidade, até as vilas de Quila Quina e Hua Hum, na fronteira com o Chile, com paradas em praias e ilhotas do lago. Veja os horários e tarifas dos passeios pelo Nacar aqui.

Escola de Quila Quina.

Escola de Quila Quina.

Nós fizemos o passeio de meio dia até Quila Quina, uma pequena vila dentro das terras da comunidade mapuche, os primeiros habitantes da região. Almoçamos no restaurante (razoável) do local e ficamos livres para passear entre bosques de árvores nativas e praias com pedrinhas redondas e grandes árvores. O dia estava nublado e frio deixando a paisagem
assim:

Vista a partir da praia de Quila Quina.

Vista a partir da praia de Quila Quina.

CERRO CHAPELCO

Cerro Chapelco é, claro, a menina dos olhos de San Martin. O centro de esqui é menor que Cerro Catedral, em Bariloche, mas tem ótima infraestrutura, com pistas para todos os níveis de dificuldade, escolinha de esqui e snowboard e vários restaurantes e cafés. Explico todos os detalhes para visitar Chapelco neste post:

Cerro Chapelco, em San Martin de los Andes: como chegar, quanto custa e como é esquiar na Patagônia

Eu sou o pontinho vermelho tentando se equilibrar.

Eu sou o pontinho vermelho tentando se equilibrar.

Em Chapelco, fiz tudo o que tinha de direito: andei de esqui, fiz um boneco de neve, andei de trenó e por aí vai. Com duas crianças se jogando na neve, dá pra realizar todos os desejos de infância. :)

A melhor parte é que você nem precisa esquiar direito para aproveitar a maior atração de Chapelco. Gente do mundo inteiro vem até aqui para apreciar as belíssimas paisagens da Patagônia, com o Lago Nacar e o Vulcão Lanin no horizonte.

PARQUE NAIONAL LANIN

Vista do Parque Nacional Lanin a partir de Cerro Chapelco.

Vista do Parque Nacional Lanin a partir de Cerro Chapelco.

San Martin deve tudo o que é hoje ao Parque Nacional Lanin. Sua criação, em 1937, restringiu o corte de árvores nativas, que era a principal atividade econômica da região desde a chegada dos espanhóis.

Saíram os madeireiros e vieram os turistas atrás da neve e dos rios, lagos e florestas preservadas. Hoje as agências de San Marti oferecem várias opções de passeios, trekking, escaladas e pesca esportiva. Como estávamos com crianças, optamos por uma cavalgada de meio dia pelas montanhas.

O guia era bom, os cavalos pareciam bem treinados e a o percurso prometia belas paisagens, mas, infelizmente, o clima não ajudou. Com a chuva fina e as trilhas enlameadas perto dos precipícios, achei melhor encurtar o passeio e voltar para o bem-bom da cabana.

Onde se hospedar em San Martin de los Andes

Nossa cabaña em San Martin.

Nossa cabaña em San Martin.

Fizemos essa viagem em 2012 e até hoje sentimos saudades da nossa cabaña em San Martin. As Cabañas são construções independentes, com jeito de casa e serviços de apart-hotel, um tipo de hospedagem muito comum na cidade onde não existem construções acima de dois andares.

A localização não podia ser melhor. A Cabañas Luz de Luna (Coronel Diaz, 1195), onde nos hospedamos fica numa rua tranquila que termina nas montanhas, logo na entrada da cidade e pertinho do Lago Nacar.

A rua da nossa cabaña.

A rua da nossa cabaña.

O piso inferior do sobrado tem sala com lareira, banheiro, cozinha equipada e local para guardar esquis e botas de neve. No superior, banheiro com banheira e dois quartos com capacidade para seis pessoas. O aquecimento é tão bom que dava pra dormir de camiseta enquanto nevava lá fora.

Com esta estrutura, pudemos viver quase como moradores, comprando comida nas carnicerias (açougues) e mercados da cidade. É bom pra conhecer a cultura local e ajuda a economizar.

O que e onde comer em San Martin

CARNES

Cordeiro e tábua de defumados patagônicos.

Cordeiro e tábua de defumados patagônicos.

Se você associa comida argentina a carne bovina e parrilha, vai se surpreender em San Martin. A culinária tradicional está presente sim mas divide espaço no cardápio com produtos típicos da Patagônia, como carne de javali, cervo (a caça é regulamentada), cordeiro, salmão e truta.

Vários restaurantes mostram na vitrine seu prato principal: um carneiro inteiro, esticado sobre espetos, assando na brasa, como no nosso “fogo de chão”.

As carnes patagônicas aparecem também na versão defumada. Pedindo a tradicional Tabla de Ahumados, dá pra provar um pouco de tudo. O restaurante El Regional (Av. San Martin, 1201) é um bom lugar para experimentar. O Ku de los Andes ( o nome é esse mesmo, gente…), em frente à praça San Martin, serve boas carnes.

TRUTA E SALMÃO

Salmão delicioso no La Meson de la Patagônia.

Salmão delicioso no La Meson de la Patagônia.

São pescados ou criados nos rios gelados da região e fáceis de encontrar em quase todos os restaurantes. A maioria oferece pratos básicos, com exceção do El Meson de la Patagônia (Calle Rivadavia, 885).

O El Meson é um restaurante discreto para os padrões de San Martin e fora da região mais agitada. Os próprios donos atendem os clientes e explicam os pratos. Comemos salmão, lagostas e uma entrada linda e deliciosa. Pra mim, tem a melhor comida da cidade.

PARA BEBER
Dublin Pub ( Av. San Martin, 599) tem clima descontraído e muito movimento, ótimo pra relaxar tomando uma cervejinha patagônica como a Lacar, produzida em San Martin de los Andes.

CAFÉ E CHOCOLATE

Aproveitando as delícias de San Martin.

Aproveitando as delícias de San Martin.

San Martin é uma perdição, você entra num café e sai com uns dois quilos a mais.

Os chocolates artesanais são vendidos em barras pequenas, com ou sem recheio, em várias combinações de sabores, uma mais deliciosa que a outro. Isso sem falar nos afajores, bombons e sorvetes.

Sorvete da Mamusia.

Sorvete da Mamusia.

A Chocolateria Mamusia tem a fachada toda decorada e ótimos sorvetes. O lugar é tão quentinho que dá pra se deliciar mesmo no inverno patagônico.

Entre as chocolaterias, nossa preferida foi a , que também tem unidades em Bariloche. Além das prateleiras recheadas de doces, ela serve também um chocolate quente dos deuses. Perfeito pra começar um dia na Patagônia.

FOTOS E TEXTO: CASSIANA PIZAIA

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postado por Cassiana Pizaia

Esqui em Cerro Chapelco, San Martin de los Andes: tarifas, distâncias e dicas

Esqui em Cerro Chapelco, San Martin de los Andes: tarifas, distâncias e dicas

Se a primeira vez a gente nunca esquece, Cerro Chapelco, em San Martin de los Andes, não decepcionou. E não foi apenas porque encarei um par de esquis e uma nevasca, com direito a boneco de neve e trenó, pela primeira vez na vida.

A escolha por Chapelco foi proposital. Queríamos esquiar sim, mas minha veia aventureira pedia mais que um centro de esqui. A ideia era aproveitar a viagem (que não é barata!) para conhecer de verdade a região mais agreste e gelada da Argentina sem a muvuca de Bariloche no inverno.

San Martin de los Andes e Lago Nácar.

San Martin de los Andes e Lago Nácar.

San Martin de los Andes fica na província de Neuquén, colada na Cordilheira dos Ande, no norte da Patagônia. A região tá bem distante dos grandes glaciares, mas você já encontra as paisagens e o estilo de vida da região austral sem precisar embarcar para o fim do do mundo.

Como chegar em Cerro Chapelco

O aeroporto Aviador Carlos Campos, em San Martin, é o mais próximo, mas é interessante chegar por Bariloche, que recebe um número muito maior de voos. Aproveitamos a diária de hotel para conhecer a meca do turismo de inverno da Argentina e, no dia seguinte, partimos para San Martin em carro alugado.

Na Rota dos 7 lagos, rumo a San Martin de los Andes.

Na Rota dos 7 lagos, rumo a San Martin de los Andes.

Há três caminhos possíveis entre Bariloche e São Martin de los Andes, um mais bonito que o outro. Nós fomos pela famosa Rota dos 7 Lagos e voltamos via Junin de los Andes. Conto tudo sobre as duas estradas neste post:

De Bariloche a San Martin de los Andes: o inverno na Rota dos 7 lagos.

O terceiro caminho pode ser acessado no início da Rota dos 7 lagos e passa pelo Paso Córdoba, no alto das montanhas, mas tem um trecho grande em estrada de terra.

Acesso ao Cerro Chapelco

Acesso e estacionamento aos pés da montanha.

Acesso e estacionamento aos pés da montanha.

Seguindo pela Rota dos 7 lagos (Ruta 234), o acesso a Cerro Chapelco fica a 20 quilômetros de San Martin. Neste ponto, toma-se a rodovia 19 e, cinco quilômetros depois, você já está no estacionamento na base da montanha.

Fizemos as indas e vindas entre a cidade e o Cerro de carro, mas dá para chegar facilmente em 20 minutos em micro-ônibus, taxi ou com o translado dos hotéis da cidade

ALUGUEL DE ESQUIS E ROUPAS

Centro de esqui Cerro ChapelcoNão tem como escapar da parafernália da neve mas dá pra tentar economizar.

A loja de Chapelco aluga roupas e equipamentos com a vantagem de oferecer o serviço de guarda-esquis e guarda-botas incluso no preço. Se você locou em outro lugar, vai ter que carregar tudo. E, olha, a peleja costuma ser pior na volta, quando você está exausta e (no nosso caso) ainda tem de carregar os esquis da criançada…

Ainda assim vale a pena pesquisar os preços na cidade. A oferta é grande e a facada tende a ser menor. Na montanha, a locação do equipamento standard de esqui na média temporada custa 425 pesos. Na cidade, aluga-se até por 200 pesos.

Cerro Chapelco - Como irAlém desse equipamento básico ( esquis, bastões e botas), o enxoval indispensável inclui calças, casaco, luvas impermeáveis e óculos de proteção. Alugamos tudo nas lojas de San Martin, com exceção dos casacos e luvas, que trouxemos do Brasil. Os preços variam bastante. Você pode pesquisar e comparar os preços em várias lojas aqui.

Aliás, vale a pena levar luvas e casacos do Brasil. Eles serão úteis o tempo todo, não apenas quando estiver esquiando, e você gasta menos com aluguel. Nós já começamos a usar os nossos em Bariloche!

*Uma dica: Como viajei em agosto, aproveitei as promoções de final de inverno numa grande loja de produtos esportivos daqui. Levei também roupas de baixo e blusas próprios para neve (eles são mais quentes e fazem menos volume). Comprar roupa de inverno em Bariloche e San Martin só se você estiver nadando em dinheiro!

Ah, as cabanas e hotéis costumam ter locais próprios para guardar o material de neve.

Como é o centro de esqui

Chapelco, a 1600 metros.

Chapelco, a 1600 metros.

Cerro Chapelco é menor que os centros de esqui mais famosos da América do Sul. São 12 meios de elevação e capacidade para atender cerca de 15 mil esquiadores por hora. Cerro Catedral, em Bariloche, por exemplo, tem 38 meios de elevação e pode receber o dobro de esquiadores.

Esquiando pela primeira vez e com duas crianças a tiracolo, confesso que achei isso uma vantagem. O principal é que o lugar é muito bem-organizado, considerado um dos melhores e mais bonitos do mundo, e tudo funciona direito.

Na base, há um bom estacionamento, a charmosa cafeteria Abuela Goye, loja, lockers, creche e bilheterias. O serviço de teleférico com cabines leva até o primeiro nível, a 1600 metros, onde fica a estrutura mais completa e a maior concentração de esquiadores da montanha.
Cerro Chapelco - Argentina IIINeste nível funciona o restaurante mais popular do Cerro, o Antulauquen, com serviço self-service razoável e cafeteria. No total, 8 restaurantes e cafeterias funcionam nos vários níveis de Chapelco.

A ladeira gelada em frente é o território dos iniciantes, das crianças da escolinha e dos adultos desajeitados tentando parar em pé sobre os esquis (presente!). Em volta, 28 pistas com vários graus de dificuldade circundam a montanha.

Mas não precisa ser expert para aproveitar o melhor de Chapelco. Dá só uma olhada:

Vista do Lago Nacar a partir do primeiro nível de Cerro Chapelco.

Vista do Lago Nacar a partir do primeiro nível de Cerro Chapelco.

Tirei esta foto do primeiro nível, quando ainda estava na primeira aula! As paisagens incríveis de Chapelco são os maiores atrativos desta montanha. Lá de cima, dá pra ver o vulcão Lanin, as águas do Lago Nacar, dezenas de picos nevados e encostas cobertas de florestas patagônicas. Eu ficaria horas só aproveitando esta vista!

Como é esquiar em Chapelco

Cerro Chapelco - San Martin de los AndesPra quem nunca esquiou, contratar pelo menos uma aula é fundamental. Você aprende os princípios básicos, ganha tempo, que aqui vale ouro, e aproveita melhor a experiência.

Foi o que fizemos no primeiro dia. Mas como a brincadeira custa caro ( veja os valores no final do post), dispensamos as aulas no segundo dia e enfrentamos as pistas fáceis com a cara e a coragem. Para as crianças, tudo tranquilíssimo. Pra mim, nem tanto, mas já consegui me aventurar um pouquito más.

San Martin de los AndesPegamos o teleférico até o segundo nível. De lá, além da vista mais maravilhosa ainda, é possível descer por um caminho diferente e muito, muito divertido.

A pista, ainda em nível iniciante, passa entre os bosques de lengas , uma árvore nativa na Patagônia. Um tombinho aqui e ali faz parte da aventura, mas nada que não termine com uma boa gargalhada. Dá fácil pra levantar, sacudir a neve e seguir em frente com o vento no rosto! 😉

Bosque de lengas em Chapelco.

Bosque de lengas em Chapelco.

Cerro Chapelco - Argentina IIAs pistas entre os bosques, ao lado das paisagens lindíssimas, atraem esquiadores experientes do mundo todo. E o mais legal é que você consegue aproveitar isso tudo mesmo sendo novato no esporte.

Além do esqui: passeando de trenó

Trenó e Jardin de Nieve.

Trenó e Jardin de Nieve.

No terceiro dia, já com o cartão de crédito explodindo, optamos por pagar apenas o acesso ao primeiro nível. Dia de brincar, matar a vontade de fazer um boneco de neve e passear de trenó!

Os passeios partem do Centro, e são pagos a parte. Os trenós são puxados por autênticos cães siberianos e conduzidos por funcionários especializados.

Pode parecer só brincadeira de criança, mas a verdade é que o negócio anda muuuuito rápido. A rota acelerada no meio do bosque faz subir a adrenalina toda vez que você pensa que vai dar de cara com um tronco de árvore. Parece que os cães esperam pra desviar sempre no último minuto! Ufa!

O que fazer na cidade

Apesar de pequena, com apenas 22 mil habitantes, San Martin de los Andes tem boa estrutura turística, hotéis charmosos, bons restaurantes com comida internacional e patagônica, pubs, cafeterias e oferta de passeios pela região, inclusive pelo Lago Nácar.

A cidade é uma delícia. Ver o dia começar nas margens do Lago Nácar, caminhar nas ruas tranquilas e belas, tomar sorvete e comer os chocolates artesanais são prazeres simples e deliciosos de San Martin. Veja nosso post sobre o que fazer, onde ficar e comer na cidade:

San Martin de los Andes: uma cabana, um lago e uma montanha coberta de neve

QUANTO CUSTA ESQUIAR EM CHAPELCO E COMO ECONOMIZAR

Chapelco - como irVou dizer o óbvio: a brincadeira custa os olhos da cara em todos os centros de esqui do mundo. Mas dá pra controlar as despesas, principalmente se o esqui for apenas parte do passeio e não o objetivo único da viagem.

FAIXA ETÁRIA
Se você viaja em família, fique atento aos descontos por faixa etária. Crianças até cinco anos e idosos acima de 70 não pagam. Crianças de 6 a 11 anos, universitários de 18 a 28 anos e pessoas acima de 60 anos tem desconto de 20% em média.

ÉPOCA
A época também faz diferença. Os valores mudam por temporada. A diferença de preço entre a baixa (de 18/06 a 02/07 e 04/09 a 02/10) e a alta temporada (de 10/07 a 30/07) chega a ser de 40%. A desvantagem da baixa temporada é que você vai depender das condições do clima e pode haver pouca neve na montanha.

Eu viajei na temporada média (de 03/07 a09/07 e 31/07 a 03/09), peguei bastante neve e tarifas 20% menores que na alta temporada.

HORÁRIOS E DIAS
Chapelco - San Martin de los AndesO centro funciona das 09h00 as 17h00 dependendo das condições do tempo.

Se você pretende esquiar por vários dias, vale a pena comprar o passe múltiplo. A diária vai diminuindo conforme o número de dias se você adquirir tudo de uma só vez. Mas isso só se for ficar na montanha o dia todo, o que pode ser bem cansativo principalmente para crianças.

Do passe de telecabine até o primeiro nível não dá pra escapar. Se quiser ter acesso aos outros meios de elevação, você pode escolher entre o passe para o dia inteiro ou apenas para a tarde.

Eu comprei um passe de dia inteiro, só uma tarde no segundo dia e só o acesso de tele cabine no terceiro ( neste dia fizemos o passeio de trenó). Neste caso, compensou comprar na hora mesmo.

Tarifas 2016

Na temporada média, o passe de telecabine até o primeiro nível custa 340 pesos para adulto. O passe para o dia todo custa 850 pesos e para a tarde somente, 680 pesos. Por três dias inteiros, você vai pagar 2295 pesos. Para crianças acima de 6 anos e adultos acima de 60, os valores são de 270 pesos ( telecabine), 545 pesos (tarde), 680 pesos ( dia todo) e 1835 pesos ( três dias). Veja a tabela completa de preços no site de Chapelco.

Com estes valores, é muito importante se planejar. Uma família de 4 pessoas, com duas crianças, vai pagar 4280 pesos por um dia em Cerro Chapelco, sem contar alimentação, cursos e o aluguel de roupas.

CURSOS
Aulas de esqui em ChapelcoComo disse antes, um dia de curso pelo menos é muito importante para um iniciante. Mas não é barato.

Duas horas de aula particular custam de 2005 (1 aluno) a 2995 pesos (3 alunos). Se você estiver em família ou com amigos pode formar grupos de 4 a 6 pessoas e pagar um pouco menos.

Mas o mais econômico mesmo é participar de aulas coletivas. São 2375 pesos por três dias de aula (duas horas e meia em cada dia). Também é possível fazer um dia só de aula (depende da disponibilidade de vagas) e se jogar na pista, como eu fiz.

Os tombos fazem parte da paisagem...

Os tombos fazem parte da paisagem…

Se você fez as contas e se animou pra pra ir, a regra é encarar com bom humor o que vem pela frente. O mais importante pra quem está embarcando pela primeira vez neste universo da neve é disposição e olhos abertos para admirar a beleza da Patagônia de camarote.

FOTOS: Cassiana Pizaia

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postado por Cassiana Pizaia
11.07.2016

Como ir de Bariloche a San Martin de los Andes: o inverno na Rota dos 7 lagos

Como ir de Bariloche a San Martin de los Andes: o inverno na Rota dos 7 lagos

A principal dica sobre a Rota dos Sete Lagos, na Argentina, é: não tenha pressa. São apenas 110 quilômetros, mas nós levamos duas horas e meia pra percorrer e não foi por culpa só das curvas e da pista simples. Se prepare pra parar, e muito, simplesmente porque as paisagens são maravilhosas demais pra ficar vendo de relance pela janela.

A rota liga Villa La Angostura e San Martin de Los Andes, no noroeste da Patagônia argentina. Passa, literalmente, pelo meio da Cordilheira dos Andes, circundando picos nevados e grandes lagos pertinho da divisa com o Chile.

Bariloche e Lago Nahuel Huapi.

Bariloche e Lago Nahuel Huapi.

Mas quase todo mundo faz um caminho mais longo, começando ou terminando em Bariloche, há 85 quilômetros de Villa La Angostura. Primeiro, porque o aeroporto de lá tem muito mais opções de voo que o de San Martin. Segundo, porque a Rota é o complemento perfeito de uma temporada no maior destino de neve da Argentina.

Nosso objetivo nesta viagem era fugir da muvuca e ficar em San Martin de Los Andes, mas, lógico, eu não ia perder a chance de dar pelo menos uma olhada em Bariloche. Chegamos um dia antes, conhecemos a cidade e alugamos um carro com correntes para rodas (orientação da locadora).

A caminho de Villa la Angostura

A caminho de Villa la Angostura

Saímos de Bariloche pela Avenida Costaneira e pegamos a Ruta Nacional 40 (antiga 231), acompanhando as margens do maior de todos os lagos da região.

O Nahuel Huapi tem 560 quilômetros quadrados, mais que o dobro da área do município, e forma um gigantesco espelho d’água com vários braços que chegam até Villa La Angostura. O Nahuel não está incluído nos “ 7 lagos” mas você já pode começar a colecionar fotos de cartão-postal da Patagônia.

VILLA LA ANGOSTURA

Villa la Angostura

Villa la Angostura

Chocolates artesanais em Villa la Angostura.

Chocolates artesanais em Villa la Angostura.

Depois de uma hora e meia, com umas paradinhas no meio, chegamos em Villa La Angostura. O lugar tem jeito de vilarejo de montanha, com uma rua charmosa cheia de pequenos restaurantes e cafés.

Apesar do ar despretensioso, é um destino sofisticado, com algumas pousadas bem caras. Tem uma pequena estação de esqui em Cerro Bayo mas muita gente vem também no verão, para aproveitar trilhas, pescarias e passeios de barco no lago.

Nossa parada foi rápida, o suficiente pra nos abastecer de café, empanadas e chocolates artesanais (maravilhosos!). Já fora da cidade, descemos no Mirador Inalco, que tem uma das vistas mais bonitas do Nahuel Huapi de todo o caminho.

OS SETE LAGOS

Mapa da Rota dos 7 lagos

Mapa da Rota dos 7 lagos

A Rota dos Sete Lagos começa oficialmente 11 quilômetros após a cidade, no cruzamento da RN 40 com a RN 231. À esquerda, a estrada leva ao Paso Internacional Cardenal Samoré , porta de entrada para o Chile. À direita, pela RN 40, seguimos em direção a San Martin de los Andes.

Rota dos 7 lagos ainda sem asfalto. O trecho todo foi pavimentado em 2015.

Rota dos 7 lagos ainda sem asfalto. O trecho todo foi pavimentado em 2015.

Quando passamos por lá, a estrada ainda tinha 50 quilômetros sem asfalto e percorrer o trecho no inverno era quase uma aventura (por isso a orientação de levar as correntes). A boa notícia é que Rota dos 7 lagos foi toda pavimentada em 2015 e você só vai precisar de correntes se quiser se aventurar fora da rodovia.

É um caminho quase todo panorâmico. Volta e meia, você dá de cara um lagão transparente emoldurado por montanhas no horizonte. A região, na verdade, tem centenas de lagos de origem glacial, que ocupam uma grande área nos lados argentino e chileno da Cordilheira dos Andes.

Vista do Mirador Inalco.

Vista do Mirador Inalco.

Sete são apenas os maiores lagos, que podem ser vistos da estrada. Mas confesso que depois dos primeiros, já não sabia mais onde começava um e terminava o outro e precisei da ajuda do seo Google Earth pra me situar naquele emaranhado de água.

Os primeiros são o Correntoso, que reaparece em outro ponto do caminho, e o Espejo Grande, que faz jus ao nome refletindo perfeitamente o céu e as montanhas. Mais adiante, no km 31, fica a entrada para Vila Traful, com um belo lago fora da rota.

Rota dos 7 lagos - ArgentinaVoltando ao caminho principal, 20 quilômetros depois, o Lago Escondido surge discreto entre os bosques. Mais adiante, a estrada passa por um pequeno istmo que separa os lagos Falkner e o Villarino.

A cada curva, surge uma daquelas paisagens que quase todo mundo sonha encontrar na vida. Pena que pegamos tempo nublado e não deu pra ver todos os famosos tons de azul daquelas águas.

Patagônia argentina

Neve na Rota dos 7 lagos.

Neve na Rota dos 7 lagos.

Mas na Patagônia, tempo úmido e frio no inverno também pode significar outra coisa: neve! E lá estava ela cobrindo os campos e o acostamento da estrada. Por várias vezes, paramos para ver os pequenos riachos e charcos branquinhos, com as árvores surgindo entre grandes placas de gelo.

Pouco depois da cascata Vuliñanco ( quase não pudemos vê-la por causa da neblina), saímos do Parque Nahuel Hapi e entramos no Parque Nacional Lanin, que protege toda a região até San Martin. Entre um lago e outro, a estrada corta grandes bosques de ciprestes e outras árvores típicas da Patagônia.

Ciprestes no Parque Nacional Lanin.

Ciprestes no Parque Nacional Lanin.

O próximo lago da rota é o Machônico, com mirante natural e apenas um 1,5 km ². um dos menorzinhos da rota.

Cinco quilômetros à frente, no Km 165, fica o acesso à Ruta Provençal 63, que leva ao Paso Córdoba, uma das três opções de trajeto entre Bariloche e San Martin de Los Andes.

Apesar de mais curto, 160 km no total, o trajeto pelo Paso Córdoba tem 56 quilômetros de cascalho. Muita gente toma este caminho na volta para aproveitar as paisagens no alto das montanhas. Nós optamos pela terceira rota, via Junin de Los Andes (conto lá no final).

Cerro Chapelco.

Cerro Chapelco.

Já perto de San Martin, no km 171, está a entrada para o centro de esqui de Cerro Chapelco. E logo depois a entrada para vila Quila Quina. São apenas 12 quilômetros até o balneário, no limite das terras do povo mapuche, mas nós optamos por chegar lá num passeio de barco durante nossa estada em San Martin.

Nos últimos quilômetros da estrada já dá para ver o Lago Nacar. O mirador de Pil Pil é o lugar perfeito para uma foto da região, espremida entre a água e grandes cerros da região. Conto tudo sobre San Martin no próximo post.

San Martin de los Andes e Lago Nácar.

San Martin de los Andes e Lago Nácar.

RETORNO VIA JUNIN DE LOS ANDES

Na volta, optamos por fazer um caminho diferente, seguindo pela RN 40 até Junin de Los Andes e depois pelas rutas 234 e 237 ( veja o mapa acima).

A estrada, toda asfaltada, passa fora da cordilheira, como se fosse um grande contorno. É um trajeto mais logo, com 260 quilômetros, setenta a mais que a Rota dos 7 lagos, mas pode ser percorrido em menos tempo.

Estrada pra Bariloche via Junin de los Andes. A princípio, era uma opção mais prática. Mas acabamos adorando o caminho também. É um ambiente bem diferente da paisagem da cordilheira, com grandes estepes cortados por riachos transparentes e belas formações rochosas. Uma outra cara da Patagônia Argentina.
Estrada Bariloche - San Martin de los AndesBariloche - San Martin de los Andes 1Rota San Martin de Los Andes - Bariloche

FOTOS: CASSIANA PIZAIA

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