Roteiros de carro entre Porto Alegre e Montevidéu: como ir e o que visitar

Roteiros de carro entre Porto Alegre e Montevidéu: como ir e o que visitar

Entrar no Uruguai, vindo de Porto Alegre, é quase a continuação natural de uma viagem pelo sul do Rio Grande. Você vai dirigindo e, quando vê, já está lá.

A fronteira seca e tranquila, a paisagem aberta dos pampas e as distâncias curtas funcionam muito bem numa viagem de carro. Em 10 dias, atravessamos todo o centro e leste do Uruguai, incluindo as praias. Começamos e terminamos em Porto Alegre, mas com caminhos e paradas diferentes na ida e na volta.

Veja o roteiro (em azul) no mapa:

Nosso roteiro pelo Rio Grande do Sul e Uruguai.

Nosso roteiro pelo Rio Grande do Sul e Uruguai.

Na ida, seguimos para o interior do Rio Grande do Sul, paramos em Pelotas e Santana do Livramento. Entramos no Uruguai por Rivera e atravessamos os pampas uruguaios até Montevidéu.

Depois de dois dias na capital, seguimos até Punta del Este e subimos todo o litoral uruguaio, com paradas em La Paloma e Cabo Polônio. Entramos no Brasil pelo Chuí e voltamos a Porto Alegre passando pela Reserva do Taim e a cidade de Rio Grande.

O que é preciso para viajar de carro no Uruguai

roteiro-de-carro-pelo-uruguai CARRO PRÓPRIO
Se o carro estiver em seu nome, você vai precisar levar seu RG em bom estado, carteira de motorista, documento do carro e seguro com validade no Uruguai. É fácil comprar este seguro, a chamada Carta Verde, em corretoras dos municípios próximos à fronteira. No nosso caso, a locadora providenciou tudo.

Se o carro for de outra pessoa, é preciso obter uma autorização do proprietário com firma reconhecida em cartório e legalizar o documento em um consulado uruguaio. No Rio Grande do Sul, há consulados em Porto Alegre, Pelotas, Bagé, Santana do Livramento, Quaraí, Jaguarão e Chuí.

CARRO ALUGUADO
A maioria das grandes locadoras não permite a entrada de carros no Uruguai, mas algumas empresas locais não têm restrições desde que você pague pela Carta Verde e pelas autorizações. Na Locarcar, onde nós locamos o carro, estas taxas custam hoje R$800,00 , fora o valor do aluguel. Fiz contato por telefone também com a Pontual Locadora, que cobra R$750,00, mas não tem serviço de entrega no aeroporto.

REGRAS DE TRÂNSITO
São parecidas com as brasileiras. É obrigatório manter o farol baixo ligado durante o dia nas rodovias.

De Porto Alegre a Santana do Livramento/Rivera

605 Km pelas BRs 116 ( via Bagé)
O trajeto mais rápido (500 km) entre as duas cidades é pela BRs 290 e 158, mas nós preferimos um roteiro mais ao sul, pela Br 116, passando por Pelotas e Bagé, já entrando no clima “gaúcho da fronteira”.

DE PORTO ALEGRE A PELOTAS

260 km pela BR 116

Mercado Central em Pelotas.

Mercado Central em Pelotas.

Em Pelotas começamos a entrar na história do Rio Grande. A cidade enriqueceu no século XVIII com a produção de charque, carne seca e salgada que era enviada para o Brasil todo em navios ou lombo de burro.

Passamos uma noite lá, mas dá pra ver as principais atrações em algumas horas. A maioria das construções históricas formam um conjunto tombado pelo Patrimônio Histórico em torno da Praça Cel. Pedro Osório. O lugar virou cenário da série A Casa das Sete Mulheres e do filme O Tempo e o Vento.

A uma quadra da praça, fica o Mercado Central, todo restaurado e ocupado por barbearias e pequenas lojas. Aproveitamos pra experimentar os famosos doces de Pelotas. As delícias têm selo, certificado de procedência e uma associação que protege as receitas tradicionais de origem portuguesa.

DE PELOTAS A SANTANA DO LIVRAMENTO

343 km pelas BRs 293 e 159

Pampas gaúchos.

Pampas gaúchos.

Essa região tranquila já foi território de maiores batalhas do sul do continente.

Bagé, quase no meio do caminho, foi colonizada por jesuítas, disputada por espanhóis e portugueses, brasileiros e argentinos. Depois, foi a vez de legalistas e farrapos se digladiarem durante a Revolução Farroupilha. Por pouco tempo, Bagé chegou a ser capital orgulhosa da proclamada República Riograndense.

Hoje ela é uma espécie de capital da cultura gaúcha. Tem a feira agropecuária mais antiga do país, festa internacional do churrasco e festivais de música regional. Um bom lugar para almoçar um churrasco a caminho da fronteira.

Para chegar aos restaurantes, entre à esquerda na rotatória e siga pela Avenida Santa Tecla até o centro.

Santana do Livramento e Rivera

Rivera, Uruguai.

Rivera, Uruguai.

Santana do Livramento respira fronteira. São mais de 100 quilômetros lado a lado com os vizinhos uruguaios. Apenas uma avenida e a Praça Internacional separam o centro da cidade de Rivera, no Uruguai.

Mas a divisão é só no mapa porque, no dia-a-dia, todo mundo passa de lá pra cá e daqui pra lá sem impedimento nenhum. Do lado uruguaio, as lojinhas da rua principal, a Sarandi, funcionam com o free shops. Fora isso, Rivera tem cara de cidadezinha comum, nada a ver com confusão de Ciudad del Este, no Paraguai.

Fora do centro,o Siñeriz Shopping é o melhor lugar pra comprar. A cota pra quem está de carro ou ônibus é de 300 dólares por pessoa.

Estância em Santana do Livramento.

Estância em Santana do Livramento.

Não dá para ficar imune a um bom free shop, mas eu estava era de olho nos pampas. A Estância Cerros Verdes, uma fazenda com mais de 200 anos de história, foi nossa casa na campanha gaúcha. Conto detalhes no próximo post.

De Rivera a Montevidéu

505 km pela Ruta Nacional 5

Não esqueça de registrar a entrada no Uruguai no postos policiais da fronteira. Não fomos parados nenhuma vez, o único policial que vimos estava dormindo no posto de fiscalização, mas não vale a pena arriscar. Na volta, é preciso registrar também a saída do país.

A Ruta Nacional nº 5 corta o Uruguai de norte a sul. Nesta planície imensa, cobertas de capim, surgiu a figura do gaucho (gaúcho pra nós). Eram homens que viviam independentes, acampados nos campos, laçando e vendendo a carne dos rebanhos que se reproduziam livres pelos campos.

Tacuarembó.

Tacuarembó.

Pampas uruguaios

Pampas uruguaios

Criar gado ainda é a principal atividade e pouca gente vive por aqui. Tacuarembó(uma boa opção de parada há 115 km de Rivera )é a maior cidade do interior e tem apenas 50 mil habitantes.

Na entrada de Paso de los Toros, quase na metade do trajeto até Montevidéu, uma grande estátua de um touro marca o ponto onde os animais atravessavam o Rio Negro a caminho do porto. Mas não programe muito tempo para paradas. O melhor a fazer ao atravessar o interior do Uruguai é seguir em frente pela imensidão dos pampas.

Montevidéu

Teatro Solis em Montevidéu.

Teatro Solis em Montevidéu.

Só perto de Montevidéu é que a paisagem fica mais urbana.A capital tem sozinha mais metade da população do país, cerca de um milhão e meio de habitantes.

Dois dias são suficientes para o principal: conhecer a cidade velha, comer carne assada na parrilla no Mercado do Porto, caminhar na Rambla às margens do Rio da Prata, visitar o Palacio Legislativo e a Feira Tristan Narvaja( se for domingo).

Mas o mais bacana é observar sem pressa o jeito de viver dos uruguaios. Esse pequeno país, espremido entre dois gigantes, tinha tudo para virar um quintal sem identidade. Mas o Uruguai fez o improvável e criou uma cultura única misturando influências de todos os lados.

Conto mais nos próximos posts. 😉

De Montevidéu a Punta del Este

140 Km pela Rota Interbalnearia

Ruta Interbalneária, com Punta del Este no horizonte.

Ruta Interbalneária, com Punta del Este no horizonte.

O caminho até o principal destino de praia do Urugai já é um passeio delicioso. A Ruta segue as margens do rio da Prata com vários pontos panorâmicos, praias, quiosques e vilas charmosas.

Punta del Este

Monumento aos Afogados, em Punta,

Monumento aos Afogados, em Punta,

Pra quem é fã de mar azul, pode ser difícil entender a fama de Punta del Este. Suas areias passam longe do padrão “praia paradisíaca” clássico. Mas Punta é Punta por causa da localização, do agito, do luxo e do conforto.

Perto da cidade, a Rota Interbalnearia vira uma bela avenida cercada por calçadões e prédios elegantes. O Hotel e Cassino Conrad chama atenção logo na entrada. Seguindo em frente, chegamos até a pontinha da enseada, onde na teoria o rio encontra o mar.

Porto de Punta.

Porto de Punta.

Na parte mais estreita da enseada, só três quadras separam os dois lados. O lado voltado para o rio forma uma baía e o porto, que mais parece uma marina elegante com iates e barcos de passeio. A Praia Mansa, sem ondas, começa ali. As praias mais bonitas ficam do outro lado, voltadas para o mar. “O Monumento aos Afogados”, os famosos dedos que brotam da areia, marcam o início da Praia Brava.

Na manhã seguinte, conhecemos o centro, que não é muito grande. A principal avenida, a Gorlero, é recheada de lojinhas, cafés e restaurantes. Quase todos fecham tarde da noite e abrem após as 10 da manhã, uma prova de Punta combina mais com balada do que com praia.

Infelizmente, nosso único dia lá foi também o único de chuva em toda a viagem. Pegamos um temporal daqueles, com uma ventania tão forte que tivemos que nos esconder nas lojas… ;).
Acabamos voltando para a estrada.

De Punta a La Paloma

116 KM pela Ruta 10

Para ir de Punta de Este direto ao Chuí, o GPS normalmente indica as Rutas 9 e 39. O caminho por elas é mais rápido, mas passa longe da costa. Já a rota 10 segue o litoral e tem acesso a todas as praias do litoral uruguaio.

É o caminho que os descolados de Punta costumam pegar em busca de praias mais tranquilas. Há 40 quilômetros fica José Inácio, uma colônia de pescadores que virou posto avançado do balneário na alta temporada.

Com o tempo ruim, resolvemos seguir viagem, saindo do Departamento de Maldonado e entrando no Departamento de Rocha, uma região de pequenos balneários.

La Paloma

Farol de La Paloma.

Farol de La Paloma.

O Farol do Cabo de Santa Maria, construído em 1874, é a maior atração de La Paloma. A praia próxima é cheia de conchas e rochas, linda de se ver. Há praias melhores para banho, mas não é nada espetacular. De qualquer maneira, ventava muito e o clima estava mais pra blusa de frio que roupa de banho.

La Paloma é uma das praias mais estruturadas do litoral uruguaio e ainda assim é um lugar simples e pacato, com poucas opções de restaurantes e hotéis. Ficamos no Uy Proa Sur, um hotel confortável, pertinho do Farol. A pequena piscina interna aquecida nos salvou do mau tempo.

Cabo Polônio

Leões-marinhos em Cabo Polônio.

Leões-marinhos em Cabo Polônio.

Cabo Polônio não tem a fama de Colônia, Punta ou Montevidéu. Mas foi o lugar que mais me impressionou no litoral uruguaio. Ficamos lá apenas algumas horas e deu uma vontade enorme de voltar e me internar lá por uns dias.

Chegar já é uma aventura. O Centro de Visitantes fica nas margens da rodovia, a 120 quilômetros de Punta del Este. É preciso deixar o carro no estacionamento, comprar passagem e encarar o transporte local, um caminhão adaptado meio maluco que percorre restingas e dunas até a praia.

Do outro lado, escondido do mundo, fica o refúgio de uma das maiores colônias de lobos marinhos da América do Sul. Perto dele, um farol, uma praia linda e um povoado sem luz elétrica com ares de refúgio hippie. Conto tudo nos próximos posts.

Entre o Chuy e o Chuí

Chuí e Chuy.

Chuí e Chuy.

De Polônio, seguimos direto para o Brasil para chegar à fronteira ainda com o comércio aberto.

O Chuí brasileiro forma uma única cidade com o Chuy uruguaio. O canteiro da avenida principal separa as duas cidades. De um lado, bancos em verde e amarelo, supermercados e lojas de roupas tradicionais. Do outro, cores azuis e um monte de lojinhas vendendo eletrodomésticos e quinquilharias importadas por isenção de impostos.

Ver estes dois mundos diferentes funcionando frente a frente é a maior (talvez a única) atração do lugar. Sem falar naquela sensação meio boba de estar pisando no ponto mais ao sul do Brasil, com um pé lá e outro cá.

Do Chuí a Rio Grande

Estação Ecológica do Taim.

Estação Ecológica do Taim.

Pousar no Chuí estava fora de questão. Contamos com o tempo bom e o horário de verão ( com luz até quase 21h) pra percorrer os quilômetros até Rio Grande.

Foi um dos trechos mais lindos de toda a viagem. A BR 471 percorre um estreito corredor de terra, entre o mar e Lagoa Mirim, a segunda maior do Brasil ( só perde para a Lagoa dos Patos, também no Rio Grande).

O grande conjunto de praias, pântanos, ilhotas e mangues formam a Estação Ecológica do Taim, uma área de proteção de aves e outros animais que podem ser vistos da janela do carro.

As imagens do pôr-do-sol pintando as águas do Taim são daquelas que a gente guarda para sempre na memória de uma viagem.

Rio Grande e a volta a Porto Alegre

324 KM pelas BRs 392 e 116
Dormimos em Rio Grande no primeiro hotel que encontramos e fizemos um passeio rápido pela cidade na manhã seguinte.

Rio Grande é a cidade mais antiga do estado

Capela Francisco de Assis.

Capela Francisco de Assis.

Rio Grande é a cidade mais antiga do estado e fica numa posição estratégica, entre o mar e a Lagoa dos Patos. Em uma caminhada no centro, conhecemos a Praça Xavier Ferreira, com árvores centenárias, monumentos antigos e jardins bem cuidados. A capela Francisco de Assis, de 1814, fica em frente. A uma quadra, estão o antigo prédio da Alfândega e a região das docas, onde ainda se vende peixe e camarão.

Nosso almoço foi na longa Praia do Cassino, a 25 quilômetros do centro. Pra chegar lá, pegamos a BR 392 em direção ao ponto onde as águas da lagoa encontram o mar. Da estrada, se vê o porto, o segundo em movimentação de cargas do país.

A avenida principal de Cassino vira a RS 735, que leva à BR 392 na entrada da cidade. Seguimos por ela até Pelotas, e depois, pela BR 116, até Porto Alegre.

Fotos: Cassiana Pizaia

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postado por Cassiana Pizaia
  1. 7 dez2016
    Bianca

    Olá, Cassiana!
    Eu e meu esposo estamos pensando em fazer essa viagem em janeiro, mas partindo de uma longa viagem do Rio de Janeiro… rs
    Queria ter uma noção, em média, exceto pelo aluguel do carro, quanto que se gasta e quanto tempo dura esse trajeto?
    Obrigada!!! Bianca

    • 19 dez2016
      Cassiana Pizaia

      Bianca, foram oito noites no total: duas noites em Santana do Livramento ( uma em um hotel-estância), duas em Montevidéu, uma em Punta del Este, uma noite em La Paloma e uma na cidade de Rio Grande. Sobre os custos, não anotei, infelizmente( ainda não tinha o blog quando fiz a viagem). Boa viagem pra vocês!

  2. 14 dez2016
    Vanessa

    Amei! Queria fazer essa trip, quanto mais ou menos vocês gastaram?

    • 19 dez2016
      Cassiana Pizaia

      Olá, Vanessa. Acredite, eu não anotei os gastos desta viagem. Fiz o roteiro antes de iniciar este blog. De qualquer forma, vai depender muito dos hotéis que você escolher, se vai locar carro ou não, etc.

  3. 21 dez2016
    Grasiela Wilke B Martins

    Olá Cassiana,

    Eu andei lendo que é necessário carteira de habilitação internacional, isso procede?
    A carta verde, autorização pra levar minha sobrinha está tudo certo, só me deparei agora com essa informação. O que você me diz?

  4. 8 jan2017
    Cassiana Pizaia

    Mara, não tivemos problemas. As estradas são boas durante todo o percurso. Obrigada!

  5. 15 fev2017
    Vagner

    Fiz ano passado o mesmo roteiro só que entrei pelo Chuí e fui a Montevideo E voltei por Jaguarão.
    Vou dia 24 e voltar 27entrar no Chuí e ir a Montevideo e voltar por Rivera mas não sei o de dormir naquele trajeto de Montevideo a rivera

  6. 16 fev2017
    VAGNER SANTOS OLIVEIRA

    boa tarde onde dormiram de Rivera a montevideo

  7. 25 mar2017
    Leini

    Olá Cassiana
    Vc sabe se é possível atravessar de navio até a Argentina?
    Vamos viajar agora em abril para o Uruguai e gostaríamos de ir até a Argentina.
    Se vc puder nos ajudar , agradeço

    • 18 maio2017
      Cassiana Pizaia

      Olá, Leini. É possível atravessar de barco para a Argentina a partir da cidade de Sacramento. Abraço!

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