Montevidéu

Roteiros de carro entre Porto Alegre e Montevidéu: como ir e o que visitar

Roteiros de carro entre Porto Alegre e Montevidéu: como ir e o que visitar
15 set 2016
Atualizado em: 27/10/2017

Entrar no Uruguai, vindo de Porto Alegre, é quase a continuação natural de uma viagem pelo sul do Rio Grande. Você vai dirigindo e, quando vê, já está lá.

A fronteira seca e tranquila, a paisagem aberta dos pampas e as distâncias curtas funcionam muito bem numa viagem de carro. Em 10 dias, atravessamos todo o centro e leste do Uruguai, incluindo as praias. Começamos e terminamos em Porto Alegre, mas com caminhos e paradas diferentes na ida e na volta.

Veja o roteiro (em azul) no mapa:

Nosso roteiro pelo Rio Grande do Sul e Uruguai.

Nosso roteiro pelo Rio Grande do Sul e Uruguai.

Na ida, seguimos para o interior do Rio Grande do Sul, paramos em Pelotas e Santana do Livramento. Entramos no Uruguai por Rivera e atravessamos os pampas uruguaios até Montevidéu.

Depois de dois dias na capital, seguimos até Punta del Este e subimos todo o litoral uruguaio, com paradas em La Paloma e Cabo Polônio. Entramos no Brasil pelo Chuí e voltamos a Porto Alegre passando pela Reserva do Taim e a cidade de Rio Grande.

 

O que é preciso para viajar de carro no Uruguai

roteiro-de-carro-pelo-uruguai

 

CARRO PRÓPRIO
Se o carro estiver em seu nome, você vai precisar levar seu RG em bom estado, carteira de motorista, documento do carro e seguro com validade no Uruguai. É fácil comprar este seguro, a chamada Carta Verde, em corretoras dos municípios próximos à fronteira. No nosso caso, a locadora providenciou tudo.

Se o carro for de outra pessoa, é preciso obter uma autorização do proprietário com firma reconhecida em cartório e legalizar o documento em um consulado uruguaio. No Rio Grande do Sul, há consulados em Porto Alegre, Pelotas, Bagé, Santana do Livramento, Quaraí, Jaguarão e Chuí.

CARRO ALUGUADO
A maioria das grandes locadoras não permite a entrada de carros no Uruguai, mas algumas empresas locais não têm restrições desde que você pague pela Carta Verde e pelas autorizações. Na Locarcar, onde nós locamos o carro, estas taxas custam hoje R$800,00 , fora o valor do aluguel. Fiz contato por telefone também com a Pontual Locadora, que cobra R$750,00, mas não tem serviço de entrega no aeroporto.

REGRAS DE TRÂNSITO
São parecidas com as brasileiras. É obrigatório manter o farol baixo ligado durante o dia nas rodovias.

De Porto Alegre a Santana do Livramento/Rivera

605 Km pelas BRs 116 ( via Bagé)
O trajeto mais rápido (500 km) entre as duas cidades é pela BRs 290 e 158, mas nós preferimos um roteiro mais ao sul, pela Br 116, passando por Pelotas e Bagé, já entrando no clima “gaúcho da fronteira”.

 

De Porto Alegre a Pelotas

260 km pela BR 116

Mercado Central em Pelotas.

Mercado Central em Pelotas.

Em Pelotas começamos a entrar na história do Rio Grande. A cidade enriqueceu no século XVIII com a produção de charque, carne seca e salgada que era enviada para o Brasil todo em navios ou lombo de burro.

Passamos uma noite lá, mas dá pra ver as principais atrações em algumas horas. A maioria das construções históricas formam um conjunto tombado pelo Patrimônio Histórico em torno da Praça Cel. Pedro Osório. O lugar virou cenário da série A Casa das Sete Mulheres e do filme O Tempo e o Vento.

A uma quadra da praça, fica o Mercado Central, todo restaurado e ocupado por barbearias e pequenas lojas. Aproveitamos pra experimentar os famosos doces de Pelotas. As delícias têm selo, certificado de procedência e uma associação que protege as receitas tradicionais de origem portuguesa.

 

De Pelotas a Santana do Livramento

343km pelas BRs 293 e 159

Pampas gaúchos.

Pampas gaúchos.

Essa região tranquila já foi território de maiores batalhas do sul do continente.

Bagé, quase no meio do caminho, foi colonizada por jesuítas, disputada por espanhóis e portugueses, brasileiros e argentinos. Depois, foi a vez de legalistas e farrapos se digladiarem durante a Revolução Farroupilha. Por pouco tempo, Bagé chegou a ser capital orgulhosa da proclamada República Riograndense.

Hoje ela é uma espécie de capital da cultura gaúcha. Tem a feira agropecuária mais antiga do país, festa internacional do churrasco e festivais de música regional. Um bom lugar para almoçar um churrasco a caminho da fronteira.

Para chegar aos restaurantes, entre à esquerda na rotatória e siga pela Avenida Santa Tecla até o centro.

 

Santana do Livramento e Rivera

Rivera, Uruguai.

Rivera, Uruguai.

Santana do Livramento respira fronteira. São mais de 100 quilômetros lado a lado com os vizinhos uruguaios. Apenas uma avenida e a Praça Internacional separam o centro da cidade de Rivera, no Uruguai.

Mas a divisão é só no mapa porque, no dia-a-dia, todo mundo passa de lá pra cá e daqui pra lá sem impedimento nenhum. Do lado uruguaio, as lojinhas da rua principal, a Sarandi, funcionam com o free shops. Fora isso, Rivera tem cara de cidadezinha comum, nada a ver com confusão de Ciudad del Este, no Paraguai.

Fora do centro,o Siñeriz Shopping é o melhor lugar pra comprar. A cota pra quem está de carro ou ônibus é de 300 dólares por pessoa.

Estância em Santana do Livramento.

Estância em Santana do Livramento.

Não dá para ficar imune a um bom free shop, mas eu estava era de olho nos pampas. A Estância Cerros Verdes, uma fazenda com mais de 200 anos de história, foi nossa casa na campanha gaúcha.

 

De Rivera a Montevidéu

505 km pela Ruta Nacional 5

Não esqueça de registrar a entrada no Uruguai no postos policiais da fronteira. Não fomos parados nenhuma vez, o único policial que vimos estava dormindo no posto de fiscalização, mas não vale a pena arriscar. Na volta, é preciso registrar também a saída do país.

A Ruta Nacional nº 5 corta o Uruguai de norte a sul. Nesta planície imensa, cobertas de capim, surgiu a figura do gaucho (gaúcho pra nós). Eram homens que viviam independentes, acampados nos campos, laçando e vendendo a carne dos rebanhos que se reproduziam livres pelos campos.

Tacuarembó.

Tacuarembó.

Pampas uruguaios

Pampas uruguaios

Criar gado ainda é a principal atividade e pouca gente vive por aqui. Tacuarembó (uma boa opção de parada há 115 km de Rivera) é a maior cidade do interior e tem apenas 50 mil habitantes.

Na entrada de Paso de los Toros, quase na metade do trajeto até Montevidéu, uma grande estátua de um touro marca o ponto onde os animais atravessavam o Rio Negro a caminho do porto. Mas não programe muito tempo para paradas. O melhor a fazer ao atravessar o interior do Uruguai é seguir em frente pela imensidão dos pampas.

Montevidéu

 

 

 

 

 

 

 

 

Teatro Solis em Montevidéu.

Teatro Solis em Montevidéu.

Só perto de Montevidéu é que a paisagem fica mais urbana.A capital tem sozinha mais metade da população do país, cerca de um milhão e meio de habitantes.