San Martin de los Andes

San Martin de los Andes: o que fazer entre os lagos e a cordilheira

San Martin de los Andes: o que fazer entre os lagos e a cordilheira
19 ago 2016
Atualizado em: 27/10/2017

Imagine uma cidadezinha com casas de madeira e pedra escondidas entre um lago de águas azuis e montanhas cobertas de neve. Pois San Martin de Los Andes, na Patagônia argentina, é bem isso. Quase uma versão austral de uma vila de conto de fadas.

Se não bastassem a beleza e o charme, a cidade ainda consegue unir outras coisas que parecem inconciliáveis no inverno: um centro de esqui famoso, tranquilidade e um ar de vida real entre o vai-e-vem de turistas.

Rua do centro de San Martin.

Rua do centro de San Martin.

Era bem isso o que eu procurava quando embarquei com a família para o sul da Argentina no inverno de 2012. Na época, eu ainda não tinha blog, mas a viagem foi tão interessante que resolvi atualizar as informações e postar.

A escolha mais óbvia para se hospedar seria Bariloche, a capital do turismo de neve na Argentina, também na província de Neuquén. A cidade tem o maior centro de esqui da América do Sul e recebe um número de voos muito maior que o aeroporto de San Martin de los Andes.

Mas esquiar era só parte do nosso plano. Gente, eu estava pisando na Patagônia pela primeira vez, a viagem não é barata e minha curiosidade pedia neve, mas não cabia num centro de esqui.

A caminho pela Rota dos 7 lagos.

A caminho pela Rota dos 7 lagos.

Reservamos um dia para conhecer Bariloche e, na manhã seguinte, seguimos de carro para San Martin pela Rota dos 7 lagos. Conto sobre o caminho, entre os picos da Cordilheira dos Andes, neste post:

De Bariloche a San Martin de los Andes: O inverno na Rota dos 7 lagos

O que fazer em San Martin de los Andes

A CIDADE

Chegando em San Martin de los Andes.

Chegando em San Martin de los Andes.

Quando vi San Martin pela primeira vez, de um mirante da estrada, parecia que estava chegando num lugar perdido no mundo. A cidade de 20 mil habitantes se mistura com o cenário, com montanhas cobertas de ciprestes e as águas azuis do Lago Nacar a perder de vista. Uma pintura!

A posição geográfica limitou o crescimento e manteve a cidade isolada por décadas. Mas hoje San Martin consegue conciliar bem esse ar de aldeia de montanha com organização e conforto.

Caminhar com calma é o melhor jeito de conhecer tudo. A avenida San Martin, a principal da cidade, tem só 12 quadras, todas recheadas de lojinhas de artesanato, restaurantes e cafeterias quentinhas. Você anda e para num café, anda mais um pouco, e encontra uma chocolateira. Fica até difícil pensar no almoço…

Praça de San Martin.

Praça de San Martin.

As três praças também ficam nesta rua. A mais antiga, San Martin, nasceu junto com a cidade em 1898 e concentra prédios públicos e históricos, todos no estilo montanhês.

Mas o mais gostoso é sentar num banco da praça e ficar só olhando os jardins e aquelas árvores com folhas coloridas em tons de amarelo e vermelho.

LAGO NACAR E QUILA QUINA

Lago Nácar I

 

A avenida San Martin leva à Avenida Costaneira, nas margens do lago Nácar, um lugar delicioso para começar ou terminar o dia.

O Nácar é o último (ou o primeiro, dependendo de onde você parte) da Rota dos 7 Lagos mas, na verdade, faz parte de um emaranhado de lagos colados à Cordilheira dos Andes na fronteira entre Argentina e Chile.

Excursões de barco partem do muelle, o pequeno porto da cidade, até as vilas de Quila Quina e Hua Hum, na fronteira com o Chile, com paradas em praias e ilhotas do lago. Veja os horários e tarifas dos passeios pelo Nacar aqui.

Escola de Quila Quina.

Escola de Quila Quina.

Nós fizemos o passeio de meio dia até Quila Quina, uma pequena vila dentro das terras da comunidade mapuche, os primeiros habitantes da região. Almoçamos no restaurante (razoável) do local e ficamos livres para passear entre bosques de árvores nativas e praias com pedrinhas redondas e grandes árvores. O dia estava nublado e frio deixando a paisagem
assim:

CERRO CHAPELCO

Vista a partir da praia de Quila Quina.

Vista a partir da praia de Quila Quina

Cerro Chapelco é, claro, a menina dos olhos de San Martin. O centro de esqui é menor que Cerro Catedral, em Bariloche, mas tem ótima infraestrutura, com pistas para todos os níveis de dificuldade, escolinha de esqui e snowboard e vários restaurantes e cafés. Explico todos os detalhes para visitar Chapelco neste post:

Cerro Chapelco, em San Martin de los Andes: como chegar, quanto custa e como é esquiar na Patagônia

Eu sou o pontinho vermelho tentando se equilibrar.

Eu sou o pontinho vermelho tentando se equilibrar.

Em Chapelco, fiz tudo o que tinha de direito: andei de esqui, fiz um boneco de neve, andei de trenó e por aí vai. Com duas crianças se jogando na neve, dá pra realizar todos os desejos de infância. 🙂

A melhor parte é que você nem precisa esquiar direito para aproveitar a maior atração de Chapelco. Gente do mundo inteiro vem até aqui para apreciar as belíssimas paisagens da Patagônia, com o Lago Nacar e o Vulcão Lanin no horizonte.

PARQUE NAIONAL LANIN

Vista do Parque Nacional Lanin a partir de Cerro Chapelco.

Vista do Parque Nacional Lanin a partir de Cerro Chapelco.

 

San Martin deve tudo o que é hoje ao Parque Nacional Lanin. Sua criação, em 1937, restringiu o corte de árvores nativas, que era a principal atividade econômica da região desde a chegada dos espanhóis.

Saíram os madeireiros e vieram os turistas atrás da neve e dos rios, lagos e florestas preservadas. Hoje as agências de San Marti oferecem várias opções de passeios, trekking, escaladas e pesca esportiva. Como estávamos com crianças, optamos por uma cavalgada de meio dia pelas montanhas.

O guia era bom, os cavalos pareciam bem treinados e a o percurso prometia belas paisagens, mas, infelizmente, o clima não ajudou. Com a chuva fina e as trilhas enlameadas perto dos precipícios, achei melhor encurtar o passeio e voltar para o bem-bom da cabana.

Onde se hospedar em San Martin de los Andes

Nossa cabaña em San Martin.

Nossa cabaña em San Martin.

Até hoje sentimos saudades da nossa cabaña em San Martin! As Cabañas são construções independentes, com jeito de casa e serviços de apart-hotel, um tipo de hospedagem muito comum na cidade onde não existem construções acima de dois andares.

A localização não podia ser melhor. A Cabañas Luz de Luna (Coronel Diaz, 1195), onde nos hospedamos fica numa rua tranquila que termina nas montanhas, logo na entrada da cidade e pertinho do Lago Nacar.

A rua da nossa cabaña.

A rua da nossa cabaña.

O piso inferior do sobrado tem sala com lareira, banheiro, cozinha equipada e local para guardar esquis e botas de neve. No superior, banheiro com banheira e dois quartos com capacidade para seis pessoas. O aquecimento é tão bom que dava pra dormir de camiseta enquanto nevava lá fora.

Com esta estrutura, pudemos viver quase como moradores, comprando comida nas carnicerias (açougues) e mercados da cidade. É bom pra conhecer a cultura local e ajuda a economizar.

O que e onde comer em San Martin

CARNES

Cordeiro e tábua de defumados patagônicos.

Cordeiro e tábua de defumados patagônicos.

Se você associa comida argentina a carne bovina e parrilha, vai se surpreender em San Martin. A culinária tradicional está presente sim mas divide espaço no cardápio com produtos típicos da Patagônia, como carne de javali, cervo (a caça é regulamentada), cordeiro, salmão e truta.

Vários restaurantes mostram na vitrine seu prato principal: um carneiro inteiro, esticado sobre espetos, assando na brasa, como no nosso “fogo de chão”.

As carnes patagônicas aparecem também na versão defumada. Pedindo a tradicional Tabla de Ahumados, dá pra provar um pouco de tudo. O restaurante El Regional (Av. San Martin, 1201) é um bom lugar para experimentar. O Ku de los Andes ( o nome é esse mesmo, gente…), em frente à praça San Martin, serve boas carnes.

TRUTA E SALMÃO

Salmão delicioso no La Meson de la Patagônia.

Salmão delicioso no La Meson de la Patagônia.

São pescados ou criados nos rios gelados da região e fáceis de encontrar em quase todos os restaurantes. A maioria oferece pratos básicos, com exceção do El Meson de la Patagônia (Calle Rivadavia, 885).

O El Meson é um restaurante discreto para os padrões de San Martin e fora da região mais agitada. Os próprios donos atendem os clientes e explicam os pratos. Comemos salmão, lagostas e uma entrada linda e deliciosa. Pra mim, tem a melhor comida da cidade.

PARA BEBER
Dublin Pub ( Av. San Martin, 599) tem clima descontraído e muito movimento, ótimo pra relaxar tomando uma cervejinha patagônica como a Lacar, produzida em San Martin de los Andes.

CAFÉ E CHOCOLATE

Aproveitando as delícias de San Martin.

Aproveitando as delícias de San Martin.

San Martin é uma perdição, você entra num café e sai com uns dois quilos a mais.

Os chocolates artesanais são vendidos em barras pequenas, com ou sem recheio, em várias combinações de sabores, uma mais deliciosa que a outro. Isso sem falar nos afajores, bombons e sorvetes.

Sorvete da Mamusia.

Sorvete da Mamusia.

A Chocolateria Mamusia tem a fachada toda decorada e ótimos sorvetes. O lugar é tão quentinho que dá pra se deliciar mesmo no inverno patagônico.

Entre as chocolaterias, nossa preferida foi a <strong, que também tem unidades em Bariloche. Além das prateleiras recheadas de doces, ela serve também um chocolate quente dos deuses. Perfeito pra começar um dia na Patagônia.

FOTOS E TEXTO: CASSIANA PIZAIA

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por Cassiana Pizaia
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